257 a natureza da espiritualidade cristã, revelada por Cristo. Quem, vivendo neste mundo, segue o caminho da perfeição evangélica “deseja investigar os mistérios celestiais, conhecer os profundos mistérios de Deus, possuir a abundância dos prazeres celestiais e com eles se alegrar”132, de alguma forma ultrapassa a temporalidade e alegra-se com o antegozo da vida eterna. Experimenta já na terra aquela felicidade de que participarão os salvos no céu. Devem também possuir um caráter escatológico todas as formas ativas de anúncio do Evangelho. Falam claramente a esse respeito os Statuta, que, ao abordarem a pastoral dos marianos, assinalam que todas as ações empreendidas devem em princípio visar a “mostrar aos fiéis o caminho do céu”133. O beato Estanislau identifica a vida eterna com a plenitude da felicidade humana, decorrente da posse do Bem Supremo e do amor de Deus já proporcionado sem nenhuma restrição. A categoria do reino celestial aponta, por consequência, para a eterna felicidade de Deus, de que o homem passa a participar. A vida religiosa, por sua vez, considera o Fundador dos marianos, deve ser um sinal e uma espécie de concretização disso. A localização da espiritualidade religiosa pelas fontes marianas básicas numa perspectiva eclesiológica faz com que a Igreja – o Corpo de Cristo se torne o solo do qual a vida religiosa brota, o espaço no qual amadurece e o objetivo a que serve. A correta compreensão do mistério da Igreja e das suas mais profundas necessidades é um sinal do autêntico carisma fundacional. Embora a imagem da Igreja do beato Estanislau Papczyński seja bastante tradicional, condizente com os tempos em que viveu e agiu, a sua experiência de fé e de amor extrapolava a tradição, tendo-o levado – além disso – a fundar um Instituto de caráter apostólico cujo protótipo ele via na vida de Cristo e dos Seus discípulos. Os traços essenciais desse apostolado consistem em sair ao encontro das pessoas pobres e simples a fim de lhe anunciar o Evangelho numa linguagem a elas compreensível, bem como na ativa ação caritativa. Por sua vez a ajuda proporcionada aos falecidos, tanto pela oração como pela penitência, compreendida como um sinal de amor desinteressado, encerra em si igualmente certo dinamismo do testemunho evangélico, que não é menor que o testemunho da vida religiosa de acordo com a própria espiritualidade. Todas essas dimensões da vida religiosa são finalmente um sinal indubitável do reino celestial, que em razão do poder da graça divina e da resposta do homem realiza-se na Igreja já agora, na temporalidade, bem como daquele de que é o prenúncio, na eternidade, aonde nos precedeu e onde por nós espera o Cristo. 132 Ibidem, p. 860. 133 Statuta, VI 1.
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