A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

254 Pode-se perceber que o Fundador dos marianos confere à vida religiosa os traços característicos do cristianismo primitivo, isto é, uma espécie de espera pela vinda de Cristo na glória e a aspiração a encontrar-se com o Senhor adorado, a fim de estar já com Ele para sempre123. É importante também notar que nítidos sinais dessa semelhança podem ser percebidos sobretudo na sua apresentação dos sacramentos da Eucaristia e da Penitência. Com o objetivo de familiarizar com a realidade escatológica e de moldar adequadas posturas espirituais, não apenas aborda com frequência os temas classicamente definidos como as “coisas derradeiras”, mas reserva-lhes um espaço especial em Inspectio cordis, onde na última parte das meditações, além da paixão do Senhor, aborda o assunto em “De novissimis”. Por consequência, busca demonstrar o valor relativo de muitas áreas da vida temporal, e apresenta o homem como “exilado” (“exsul”) do céu, para o qual ele frequentemente olha e pelo qual “suspira” enquanto se encontra fora dele, ou como um peregrino errante (“viator peregrinus”) a caminho da verdadeira Pátria, cuja porta foi aberta por Cristo através da obra realizada da salvação124. O homem, com efeito, embora viva na terra “no espaço do tempo presente” (“praesens spatium temporis”), está direcionado para a eternidade. E, embora – ao seguir os passos de Cristo, que entrou na casa do Pai – se aproxime do objetivo dos seus anelos, enquanto se encontra neste mundo está sujeito à sua influência; deve, no entanto, continuamente livrar-se dele distinguindo o valor dos “passageiros bens terrenos” (“terrae bona labilia”) dos “eternos tesouros celestiais” (“aeterna coeli opes”), por um “infinitamente grande preço adquiridos para nós” por Cristo125. Por isso o tempo tem para Papczyński um valor utilitário; é um dos dons temporais concedidos ao homem no caminho do amadurecimento para a vida eterna e da conquista de méritos. Ele expressa isso na meditação sobre o trecho do Evangelho onde se anuncia que os discípulos “em breve” veriam o Salvador vindo a eles (cf. Jo 16:16). Referindo-se às palavras de Cristo, como que põe em Seus lábios o seguinte texto: “Vós, diligentes operários, religiosos de todo o coração dedicados à vossa perfeição, por dias e noites inteiras insistentemente procurando assemelhar-se a mim nas lágrimas, nas aflições, nas diversas mortificações, permanecei animados, porque, embora me afaste um pouco de vós, per123 Cf. A. G. HAMMAN. Życie codzienne pierwszych chrześcijan (95-197). Trad. A. Guryn; U. Sudolska. Warszawa, 1990, p. 308-311. 124 IC, p. 770. Eis uma das várias breves definições desse tipo: “Reflete que tu és um viajante, um peregrino na terra, que não tens um lugar fixo de residência. Porque o teu corpo, visto que provém da terra, tem pressa pra voltar ao lugar de onde saiu. Mas a alma, por proceder de Deus, a Ele deve tender como ao seu objetivo”. IC, p. 976; cf. também: W. MAKOŚ MIC. O. Stanisław od Jezusa Maryi..., op. cit., p. 309. 125 IC, p. 717, 770.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==