253 que na sua camada semântica positiva são a escolha do Cristo-Esposo como o único “objeto” do amor (castidade), o bem supremo (pobreza) e o modelo da cenótica entrega ao Pai na obediência, expressam o conteúdo escatológico do reino dos céus, onde Deus é o centro de toda existência e o objetivo das ações, e “toda a felicidade dos santos” consiste na amorosa união com Deus, na alegria proveniente “visão de Cristo” e na “contemplação da Face do Pai”118. Para o prenúncio do reino escatológico aponta igualmente a Regula decem beneplacitorum na reflexão sobre a virtude da castidade. Na opinião do seu autor, a pessoa que já “neste mundo se fechou no convento em razão de Cristo” antecipa em certo sentido o conteúdo da vida eterna. Porquanto Cristo – o Divino Esposo é o mesmo, tanto na temporalidade como no futuro. Aqueles que pela castidade decorrente do amor nupcial ligam-se a Ele por santos vínculos estarão com Ele unidos pelos séculos no “extenso reino” que o homem “alcançará no mundo futuro”119. A espiritualidade religiosa, na opinião do Fundador dos marianos, encerra esses conteúdos básicos como vivenciados já neste mundo. No entanto, tem para ele um significado especial a Eucaristia, como a presença real do Cristo vivo e pessoal, “que, embora não seja visto pelos olhos do corpo, está no entanto presente na alma”. É também Ele que, através da Sua salvífica ação direcionada a encaminhar todos à casa do Pai, “dá à nossa alma a vida eterna e imortal”120. O direcionamento do homem ao reino celestial, como uma realidade da vida eterna que se encontra em Deus e ao mesmo tempo vivenciada já na temporalidade, molda uma postura escatológica. Na opinião de Papczyński, o religioso, mergulhado na multiplicidade dos assuntos e das tarefas relacionadas com o cumprimento diário da vocação, deve continuamente viver na perspectiva do objetivo fundamental da sua vida. Isso é especialmente visível numa recomendação presente em Norma vitae, onde o legislador afirma: “Em todas as horas examinai-vos, para ver se progredistes no amor a Deus ou se nele enfraquecestes; consertai, portanto, as deficiências e provocai o progresso [...]. Pensai que a qualquer hora podereis morrer”121. A consideração do iminente ingresso do homem no reino celestial e da precisão não apenas de lembrar-se disso, mas sobretudo da necessidade de preparar-se para esse acontecimento, é uma das expressões características presentes nos escritos religiosos marianos122. Em razão disso, o conjunto das questões temporais adquire uma nova dimensão, que é o horizonte da eternidade, que se projeta na vida cristã e a direciona. 118 IC, p. 617, 638, 660, 772, 836. 119 Regula, p. 46. 120 IC, p. 637, 681-682. 121 NV V 2. 122 IC, p. 685; cf. também: A. PAKUŁA MIC. Idea doskonałości zakonnej..., op. cit., p. 42-46.
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