252 do progressiva, à semelhança do grão de mostarda, que, embora jogado na terra tenha lançado raízes, só atinge o seu pleno formato após “transformar-se em árvore”115. O processo da conquista do reino dos céus identificado com o conteúdo essencial da vida religiosa, inclusive com a verdadeira e permanente felicidade destinada por Deus ao ser humano, exige a adoção de comportamentos adequados. “O reino dos céus e toda a sua glória baseia-se numa grande paciência” – ensina numa das reflexões. “O número das pessoas a ele destinadas compõe-se daqueles que, como afirma o Apóstolo, ‘de antemão Deus conheceu e predestinou a serem conformes à imagem de Seu Filho [cf. Rm 8:29]’”116. A semelhança com Cristo é de certa forma mais um sinal do reino celestial e uma forma de lembrar ao mundo o eterno plano de Deus e a verdadeira grandeza do homem. Por vontade de Deus, o homem foi criado e destinado a se tornar filho no Filho, à Sua imagem e semelhança; a alcançar a glória celestial e ser coerdeiro com o Filho de Deus. Ao direcionamento escatológico da perfeição religiosa, ainda que expressa numa linguagem um pouco diferente, chama a atenção também a Regula decem beneplacitorum. Já na Introdução, e na última frase que encerra as reflexões, o autor lembra que o objetivo fundamental da imitação das virtudes de Maria é a conquista da eterna salvação, da mesma forma que isso ocorreu com Mãe de Deus117. O relacionamento da espiritualidade religiosa com a futura vida em Deus, preparada para aqueles que se entregaram a Cristo pelos votos religiosos, bem como a alusão aos dons celestiais eternamente destinados ao homem faz com que na doutrina de Papczyński a categoria do reino celestial assuma um significado escatológico. E as aspirações básicas da vida espiritual assinalada pela consagração religiosa e buscando a união com Cristo, o Divino Esposo, bem como o desejo da incessante permanência com Ele, vivenciada já na vida temporal, tornam-se um sinal da vida eterna. Da mesma forma os votos religiosos, 115 Vale a pena citar uma das reflexões que aborda a semelhança do reino dos céus com um grão de mostarda e a aplicação das conclusões à vida religiosa: “’O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda (Mt 13:31)’. O grão de mostarda é sadio, mas, quando mordido, é amargo. Da mesma forma os que buscam o reino dos céus precisam superar muitas dificuldades, precisam suportar muitos obstáculos, cruzes e tormentos. E não te admires disso. Porque, se os bens insignificantes e passageiros deste mundo não podem ser possuídos sem grandes empenhos e esforços, como se poderia alcançar sem isso os bens eternos, imortais, celestiais? Pensa quanto teve de sofrer o Filho de Deus para voltar ao Seu reino hereditário! E tu esperas chegar a ele por um caminho confortável, prazeroso, semeado de rosas e lírios, e não infestado de espinhos? Tu, que deves pela violência conquistar o reino dos céus, prepara-te para a dificuldade, para a mortificação, para a tarefa de carregar a cruz, e Deus apoiará os teus esforços e neste presente banquete Seu também te concederá forças, graças e perseverança. 2. Reflete de que forma o grão de mostarda se transforma numa árvore. Da mesma forma também tu deves proceder, se desejas tornar- -te a árvore perfeita de um servo de Deus. Aprende a permanecer oculto, aprende a morrer e aos poucos cresce com a ajuda da graça divina que te orvalha”. IC, p. 810-811. 116 IC, p. 892. 117 Regula, p. 45.
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