250 mais importantes valores que existem neste mundo, ainda que procedentes de Deus, apresenta o amor sobrenatural, especialmente o que se expressa nos relacionamento mútuo dos religiosos. Estimulando à imitação de Cristo em tudo, Papczyński lembra, com toda a ênfase e, ao mesmo tempo, delicadeza, que tanto a “conquista da vida eterna” como o “valor dos méritos” dependem do amor. Em razão disso, a apropriada qualidade da vida comum pode acarretar o testemunho de amor esperado pelo mundo, da mesma forma que o testemunhou a Igreja primitiva108. A identificação da vida religiosa com o reino dos céus perceptível em Inspectio cordis possui um caráter relativo, e é uma realidade mais dinâmica do que estática. Papczyński não perde do seu campo de visão a real avaliação da situação do religioso, cujas escolhas e ações nem sempre estão de acordo com aquilo que é expresso pelo ideal do reino celestial. Por isso, em seus textos passa com frequência de uma descrição positiva dos valores da vida religiosa a apelos a uma conduta de acordo com a vocação. O reino dos céus é o reinado da verdade, da humildade, do desprezo de si mesmo e do amor sobretudo a Deus, e aqueles que o aceitam são chamados à sua incessante atualização já aqui nesta vida, para que, agraciados com ele na eternidade, possam “pelos séculos viver com o Deus Supremo”109. O fundamento da ampliação do reino celestial na vida do homem é a imitação de Cristo em todos os aspectos de Sua vida, de maneira especial a “conformação da nossa vontade com a vontade divina”, chamada por Papczyński de “caminho real”, visto que dessa forma mais plenamente se manifesta o reino do amor do Pai, e o coração humano abre-se plenamente ao Seu plano de salvação. Além disso, o “reinado de Cristo” foi assinalado pela humildade e pela total submissão ao Pai, aliada à amorosa entrega de si mesmo a Ele110; por isso, a coerente realização da vocação religiosa conduz à aceitação das posturas de Cristo. Uma forma semelhante de argumentação pode ser percebida nos Statuta, que, abordando a necessidade da mortificação na vida religiosa, introduzem a categoria do “céu temporal” (“caelum temporaneum”)111. A perspectiva escatológica assim introduzida lembra aos religiosos que o objetivo das renúncias praticadas não é algum tipo de genérica perfeição moral (humanística), mas uma subordinação da vida do religioso às exigências do Evangelho tal que torne possível entrar com Cristo na vida eterna. Percebemos também uma argumentação desse tipo em Norma vitae, quando o legislador, ao analisar os difíceis aspectos da vida 108 NV, II 1.4. 109 IC, p. 617. 110 NV III 1; cf. também: IC, p. 618, 685-686. 111 Statuta, III 3.
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