A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

249 valor” deve, à semelhança do negociante do Evangelho, “vender imediatamente tudo o que possui” para entrar na sua posse105. A escolha da vida religiosa já é uma espécie de escolha do reino dos céus e das suas causas e o abandono de tudo que se opõe a Deus – do mundo e dos seus valores, do demônio e do seu reino, do corpo com as suas concupiscências. O estado da vida religiosa, principalmente em razão da profissão dos votos, aponta para a escolha fundamental já feita pelo homem, no centro de cuja vida se encontra Cristo, o “supremo Rei”, o “celeste Soberano e Senhor de todos os reis”. Através da consagração o religioso ingressa num relacionamento especial com o Deus Uno e Trino, visto que em razão do batismo e da consagração religiosa torna-se “filho adotivo e coerdeiro do reino dos céus”106. O verdadeiro Filho de Deus e Herdeiro do reino dos céus é Cristo. Foi também Ele que pela obra realizada da salvação abriu ao homem o acesso aos tesouros da vida eterna que se encontram em Deus e fechados em consequência do pecado. Aqueles que escolhem a Cristo e a Ele se unem pelos laços da fé e do amor tornam-se coparticipantes da Sua herança. Dessa forma se manifesta o destino da humanidade e a salvífica vontade de Deus, que deseja a autêntica felicidade de todo ser humano e por essa razão preparou para ele os “dons celestes”. E estes se manifestam como únicos e verdadeiros, imutáveis e permanentes, sendo submetidos a uma verificação os valores terrenos – transitórios e efêmeros e, por consequência, ilusórios. Papczyński enfatiza nesse contexto que a decisão a respeito do ingresso no círculo do reino celestial, tanto nesta vida como na futura, é tomada pelo homem na vida temporal. Em Inspectio cordis ensina: “O mui extenso reino dos céus possui um incontável número de moradas, mas a elas não são admitidos aqueles que buscam para si uma morada na terra, que correm por um caminho largo, que procuram os deleites sensuais. Ninguém se elevará ao céu se não morrer para as coisas terrenas. Porquanto, assim como uma ave engaiolada não pode elevar-se ao espaço, também o espírito humano, atraído pelos prazeres sensuais, enredado pelos atrativos do mundo, mergulhado nos pecados não pode elevar-se ao céu”107. Mas aqueles cristãos que não amam este mundo, mas que encontraram a preciosa pérola do reino celeste e que se alimentam com o seu conteúdo interior tornam-se para os outros um sinal dos verdadeiros valores, da autêntica vida pela fé e do destino do homem. Um testemunho semelhante dos 105 IC, p. 885. É digno de nota que a comparação da vida religiosa com uma pérola preciosa é atribuída por Papczyński diretamente a Cristo. Refletindo sobre a respectiva parábola, escreve ele: “Reflete como Jesus, de acordo com o seu consagrado costume de falar figuradamente, utilizou-se de uma bela analogia, comparando a vocação religiosa a uma pérola preciosa”. IC, p. 884. 106 IC, p. 617. Cf. IC, p. 613, 615, 621; cf. também: W. MAKOŚ MIC. O. Stanisław od Jezusa Maryi..., op. cit., p. 307. 107 IC, p. 854.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==