244 tas91; alguns deles certamente eram conhecidos por Papczyński, porque algumas vezes os cita em seus escritos, por exemplo K. Drużbicki e J. Drexeliusz. Nos documentos da primitiva tradição da Congregação dos Padres Marianos, a aceitação do ideal da ajuda aos falecidos, abordado como objetivo específico do Instituto, apresenta-se como clara e evidente. Pode-se também perceber certo desenvolvimento da reflexão mariana nessa área, que apresenta duas direções fundamentais. A primeira é constituída pela busca de uma compreensão aprofundada do pensamento do Fundador, representada por Leporini e sobretudo pelo Servo de Deus Casimiro Wyszyński. A segunda direção é representada pelo esforço de transpor esse ideal à dimensão pastoral. A interpretação de Leporini procura demonstrar que a ajuda aos falecidos é o fruto de uma especial ação mística de Deus na vida do beato Estanislau e na sua generosa e fiel resposta à graça. Primeiramente, como observa o autor da biografia, o “misericordioso Senhor”, vendo a sua total entrega à propagação da glória de Deus e de Sua bondosíssima Mãe, convocou-o de maneira especial à fundação de um novo Instituto, dedicado à difusão do culto da Imaculada Conceição e à ajuda aos párocos e aos falecidos92. E, visto que era obediente a Deus em todas as provações, perseguições e adversidades relacionadas com a fundação desse Instituto, Deus o conduziu pelos caminhos da vida espiritual e deu-lhe a conhecer e experimentar alguns mistérios da fé. Como uma prova da divina escolha do Fundador dos marianos, Leporini apresenta duas descrições (localizadas uma após a outra), nas quais relaciona as extraordinárias experiências religiosas que teve em relação ao purgatório. Ambos os acontecimentos são precedidos de uma grave doença, possuem um transcurso semelhante e conduzem às mesmas conclusões; distinguem-se, no entanto, pelo lugar e pelo conteúdo das vivências místicas. O primeiro relato refere que, estando gravemente enfermo em Studzianna, Papczyński teve uma visão na qual foi convocado para interceder pelos falecidos, o que diligentemente começou a fazer e a estimular outros à mesma prática após a milagrosa recuperação da saúde. A Vita Fundatoris sintetiza essa parte da narração dizendo que após essa experiência ele decidiu que em sua Congregação sempre fosse recitado o ofício pelos falecidos e o rosário93. O segundo acontecimento ocorreu no convento do Cenáculo do Senhor em Góra Kalwaria, onde, convocado pelo bispo Wierzbowski, o beato Estanislau permaneceu por pouco tempo. Tendo sido atingido por uma grave doença, como descreve Leporini, “dolorosamente sofreu as penas do purgatório” (“sensibiliter 91 Cf. A. NOWICKA-JEŻOWA. Pieśni czasu śmierci. Studium z historii duchowości XVI-XVIII wieku. Lublin, 1992, p. 331-354. 92 Vita Fundatoris, p. 639. 93 Ibidem, p. 644.
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