A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

243 relaciona uma eficácia diferente do seu sacrifício e das orações elevadas pelos que creem em Cristo. Afirma que, embora a postura de Judas seja nobre e digna do máximo reconhecimento, “a Sinagoga não tinha o poder que tem a nossa santa Madre Igreja de atribuir aos fiéis falecidos os méritos de Cristo”87. A oração pelos falecidos não é, assim, tanto uma imitação dos comportamentos das personagens do Antigo Testamento quando sobretudo a distribuição, juntamente com Cristo e por Cristo, dos Seus salvíficos méritos. A oração e os atos penitenciais seriam, então, apenas os meios dessa distribuição. Não se exclui que, além dos argumentos de Papczyński acima expostos a favor da ajuda aos falecidos, podia haver também outras razões que fizeram com que com o tempo ele tivesse inscrito esse ideal como um objetivo específico da Congregação dos Padres Marianos por ele fundada. Pisarzak MIC e W. Makoś sugerem que, além das razões já anteriormente citadas, teve influência nisso também a piedade mariana do século XVII, especialmente no seu formato de escravidão mariana. Sabe-se que os escravos marianos ligavam a piedade mariana com o sufrágio pelos falecidos submetidos à purificação88. Além disso, Pisarzak MIC acredita que podia também ter tido uma influência o clima da luta contra as consequências da Reforma, ainda continuamente presente na Polônia daquele tempo, no entanto esse tema exigiria uma investigação mais detalhada89. Sem dúvida, pôde ter tido certa influência o contexto histórico-social do século XVII, quando a enorme frequência das guerras e das epidemias com elas relacionadas provocava a morte de multidões de cidadãos poloneses (que em algumas regiões do país chegava a ultrapassar os 50% da população)90, que se afastavam deste mundo sem uma preparação cristã para morte. Com certeza também a sensibilidade católica ao destino do ser humano após a morte induzia a proporcionar ajuda àqueles que com frequência morriam repentinamente e espiritualmente despreparados. O significado de tal preparação se torna tanto mais visível se considerarmos que no século XVII, no território polonês, se encontrava continuamente presente a animada corrente da espiritualidade relacionada com a arte da boa morte (“ars moriendi”), em consequência do que, pela publicação de tratados ascéticos e através de adequados exercícios espirituais, buscava-se a elaboração de adequadas posturas direcionadas ao afastamento cristão deste mundo, incluindo a divisão em preparação distante e próxima e as etapas da própria morte. Sabe-se que na propagação dessa corrente estavam bastante envolvidos também os jesuí87 TDM, p. 1166-1167. 88 Cf. M. PISARZAK MIC. Z badań nad elementem eschatologicznym..., op. cit, p. 58ss; W. MAKOŚ MIC. O. Stanisław od Jezusa Maryi..., op. cit., p. 292ss. 89 Cf. M. PISARZAK MIC. Z badań nad elementem eschatologicznym..., op. cit., p. 58-59. In: W. MAKOŚ, O. Stanisław od Jezusa Maryi..., p. 292-293. 90 Cf. J. TOPOLSKI. Gospodarka polska a europejska w wieku XVI-XVIII. Poznań, 1977, p. 136.

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