239 o primeiro documento que aborda a ajuda aos falecidos como objetivo específico da comunidade religiosa fundada por Estanislau Papczyński é o decreto do bispo Estêvão Wierzbowski de 21 de abril de 1679 instituindo a “Congregação dos Padres Recoletos da Beata Virgem Maria sem mancha concebida” na área da diocese de Poznań. A forma de definir o objetivo da Congregação presente no decreto tanto enfatiza a ajuda espiritual aos falecidos, em especial aos soldados que pereceram nos campos de batalha e às vítimas das epidemias, como se esse objetivo fosse o único e fundamental68. O documento cronologicamente seguinte, e ao mesmo tempo o primeiro escrito por Papczyński, é a Norma vitae69, impressa em 1687 e que hoje nos é conhecida, na qual já no título o legislador definia a Congregação como a “que ajuda as almas dos fiéis, especialmente as dos soldados e dos falecidos em consequência da peste”70. No capítulo que trata porquanto o correspondente decreto nada fala sobre o objetivo específico dos marianos, enumerando unicamente, entre outras práticas, a penitência e a oração pelos falecidos, o que de qualquer forma era uma das tarefas básicas dos eremitas. Também não é certo se Papczyński participou da expedição à Ucrânia. Excluindo-se a biografia de Wyszyński, faltam para isso outras provas exteriores. Finalmente as vivências espirituais descritas por Leporini e Wyszyński são localizadas por eles no tempo em que já existia a comunidade religiosa mariana. Cf. M. PISARZAK MIC. Element eschatologiczny..., op. cit., p. 333; T. ROGALEWSKI MIC. Stanisław Papczyński..., op. cit., p. 227-229. 68 Cf. Positio, p. 393-395. 69 Cf. K. KRZYŻANOWSKI MIC. Wprowadzenie do „Reguły życia”. In: Bł. S. PAPCZYŃSKI. Pisma zebrane, op. cit., p. 39. Neste ponto vale a pena mais uma vez fazer referência à discussão a respeito do tempo e das circunstâncias em que surgiu o ideal da ajuda aos falecidos como um objetivo específico. Eis que, embora se enfatize que a primeira menção pessoal de Papczyński que fala desse objetivo encontra-se em Norma vitae, não se percebeu que cronologicamente esse não é o primeiro documento por ele escrito em que descreve a sua visão da ordem, porquanto tal opúsculo é a Fundatio Domus Recollectionis, escrito em 1675, onde o Fundador descreve detalhadamente os primórdios do surgimento do convento em Korabie e ao mesmo tempo da Congregação dos Marianos. Embora ele forneça ali os acontecimentos e os ideais a seu ver essenciais para a nova comunidade, incluindo a visão da Congregação impressa pelo Espírito Santo em sua alma e citando o ato da Oblatio, que fornece a objetivo específico como sendo a difusão da honra de Maria e a defesa do privilégio da Sua Imaculada Conceição, não faz referência ao ideal da oração pelos falecidos nem às suas experiências místicas. Tal situação pode demonstrar que a ajuda aos falecidos, como objetivo específico, tenha surgido após o ano 1675. 70 O próprio título da Congregação, abordado no título de Norma vitae como “Regra de vida destinada à Congregação Religiosa da Santíssima Virgem Maria Imaculada dos Eremitas Marianos que ajudam os fiéis falecidos, especialmente os soldados e os falecidos em consequência da peste” aponta mais para a necessária adaptação dos estatutos ao estado eremítico do que para a aspiração do Fundador de fundar um Instituto de caráter contemplativo, dedicado unicamente à oração e à penitência pelos falecidos. J. Kałowski MIC acredita que a aprovação da Congregação definida como eremítica, com a simultânea construção não eremítica no sentido clássico dos primeiros estatutos marianos, testemunha a falta de univocidade do termo adotado. Por outro lado, no entanto, trata-se igualmente de uma confirmação das repetidas observações de Papczyński em que ele enfatiza que desde o início tinha uma visão clara da sua congregação, e estava buscando formas para a sua realização. Isso significa que o “status eremiticus” era por ele tratado como uma espécie de etapa passageira no propósito de fundar uma comunidade religiosa de caráter apostólico. Testemunham isso não apenas o formato definitivo da Congregação que deixou antes da sua morte, mas também os seus pronunciamentos em Fundatio Domus Recollectionis e a dedicação à atividade pastoral durante a estada tanto no eremitério de Korabie como principalmente no convento de Góra Kalwaria; mas sobretudo ele mesmo escreve a esse respeito em Norma vitae: “Não vos é apropriada uma vida eremítica tão severa, embora tenhais sido fundados em estado de eremitas”. Cf.
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