A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

237 3. Suffragium defunctorum O ideal do sufrágio pelos falecidos com a ajuda da oração e de variados atos penitenciais, tradicionalmente reconhecido na literatura dos marianos como um elemento escatológico da espiritualidade da sua comunidade religiosa, está presente quase que desde os primórdios da atividade fundacional do beato Estanislau Papczyński e é reconhecido como um dos seus objetivos específicos63. No entanto, com a máxima probabilidade pode-se supor que em 1670, isto é, no momento da sua saída da Ordem das Escolas Pias e do início das atividades relacionadas com a fundação de uma nova Congregação, esse objetivo ainda não estava presente nos seus propósitos. Se o ponto de partida para as ações de fundação foi o ato da Oblatio, proferido no momento da obtenção do indulto de afastamento, ele não contém quaisquer alusões a orações pelas “almas que sofrem no purgatório”. O único objetivo então claramente apontado da declarada “Sociedade dos Padres Marianos da Imaculada Conceição” era “a propagação e a defesa da honra de Nossa Senhora e do privilégio da Sua Imaculada Conceição”64. Entre os pesquisadores da vida do beato Estanislau há duas teorias principais a respeito de quando e por que principais razões ele adicionou o ideal do sufrágio pelos falecidos como um dos objetivos da Congregação dos marianos. G. A. Navikevicius acredita que isso ocorreu sobretudo devido à ligação de Papczyński com os eremitas, que em Puszcza Korabiewska dedicavam-se principalmente à oração e à penitência pelas vítimas das guerras e da peste. A maioria desses eremitas, inclusive S. Krajewski, proprietário e superior do eremitério, haviam sido anteriormente soldados que perderam os seus companheiros durante as guerras. Navikevicius MIC enfatiza que é muito provável que Papczyński, sendo testemunha de incessantes guerras e epidemias em sua época, que resultavam em numerosas vítimas, já antes tinha o costume da zelosa intercessão pelos falecidos, o que é confirmado por depoimentos de testemunhas no processo de beatificação. No entanto, na sua opinião, o primeiro momento claro e evidente em que se manifestou o seu desejo de prestar ajuda às almas que sofrem no purgatório foi 63 Cf. M. PISARZAK MIC. Element eschatologiczny. In: J. BUKOWICZ MIC; T. GÓRSKI MIC (red.). Marianie 1673-1973. Roma, 1975, p. 331-337; idem. Z badań nad elementem eschatologicznym w duchowości i apostolacie Marianów. Studia Płockie 5 (1977), p. 57-66; J. KAŁOWSKI; K. KRZYŻANOWSKI. Mariani (Chierici Regolari Mariani). In: DIP. Roma, 1978, 978-981; W. NIECIECKI MIC. W poszukiwaniu..., op. cit., p. 221. Na ocasião vale a pena observar que, ao realizar em 1910 a necessária reforma da Congregação e adaptando a ela as novas constituições, J. Matulewicz MIC omitiu nelas o auxílio aos falecidos, inclusive a obrigação de recitar o Officium defunctorum. No entanto a Congregação dos Religiosos, reconhecendo que a oração pelos falecidos faz parte de um dos objetivos específicos da Congregação, incluiu nos estatutos a prescrição das antigas Constituições marianas sobre o apoio aos falecidos, ainda que sem impor a obrigação do breviário. Cf. T. GÓRSKI MIC. Błogoslawiony Jerzy..., op. cit., p. 93. 64 Oblatio, p. 1423.

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