A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

231 Nos escritos religiosos do beato Estanislau que se preservaram, pode ser percebida uma diversidade de definições da atividade apostólica que ele atribui aos discípulos de Cristo, supostamente aos religiosos. Além da pregação ou da proclamação da palavra divina, ou da doutrina evangélica (“evangelicae doctrinae predicatio”), devem eles colaborar com Cristo Senhor na salvação das almas, chamar as pessoas desencaminhadas de volta ao caminho da vida eterna, converter o mundo, conduzir os pagãos transviados à adoração do verdadeiro Deus, mostrar o caminho da salvação e a verdadeira fé àqueles que se afundaram em erros e heresias, que inventam novos evangelhos ou que de qualquer forma se afastaram de Cristo e se colocaram fora da Igreja de Cristo44. Na opinião de Papczyński, possui também um caráter evangélico o adequado estilo de vida religiosa. Comentando a passagem sobre a anunciação do Evangelho aos pobres, promovida por Cristo (cf. Mt 11:4-5), e apontando para o seu significado para os religiosos, escreve: “Anunciar o Evangelho na pobreza é transformar-se de pecador em penitente, de um indivíduo insignificante em servo ou mensageiro da Palavra imortal, penetrar com a mente os insondáveis mistérios dos assuntos divinos e também esclarecê-los e − começando por si próprio – instruir os outros, tanto pelo som das palavras como pela prática das virtudes”45. Extraída do Evangelho, a sua maneira de ver a solicitude pela salvação de todos, independentemente da origem ou da posição social, levou Papczyński a expor as regras do relacionamento prático com o ser humano na perspectiva do serviço apostólico. A norma suprema é a doutrina do Mestre Celestial e o exemplo do Seu procedimento, a motivação interior – o amor, o objetivo – a salvação das almas ou o crescimento na santidade. Essas premissas simples, ao que parece, levam-no a categóricas aplicações espirituais, nas quais a peculiar primazia dos simples e dos pobres deste mundo encontra a sua realização não apenas nos textos das meditações, mas também no objetivo específico da nova comunidade religiosa. Em relação com isso, em Inspectio cordis escreve: “Conclui tu mesmo que grande iniquidade cometeste se, numa ocasião que se apresentou no cumprimento da obrigação relacionada com a salvação, deste mais valor a magnatas que a plebeus, mais a pessoas ricas que a pobres. Quanto te afastaste daquela doutrina do Mestre Celestial se visitaste unicamente os salões da nobreza, em juntamente com tantos santos – hoje te aproximas da mesa de Cristo e consomes o alimento comum de todos os santos e te fortaleces com o alimento e a bebida juntamente com eles, não hesites também em promover trabalhos comuns com eles”. IC, p. 666-667. 44 Ibidem, p. 720, 736, 876; cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Teologiczne podstawy życia..., op. cit., p. 102. 45 IC, p. 615.

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