226 da Igreja, o que faz com que com toda a submissão possa nela confiar em tudo e recomendar a mesma confiança aos seus filhos espirituais. Ao mesmo tempo, no entanto, aceita de forma racional na fé as decisões daqueles que devem representar a Igreja. Um exemplo eloquente disso é a sua disputa com os superiores religiosos na Ordem das Escolas Pias em relação a assuntos que julgava como elementos essenciais do espírito do Fundador; mas ao mesmo tempo aceitava as decisões deles com submissão, ainda que as considerasse errôneas e injustas25. Reconhecia neles a misericórdia da ação de Deus, a respeito da qual escreve em Christus Patiens que “Ele vinga em Seu Filho as transgressões que nós cometemos; os castigos que nós merecemos são aplicados a Ele; a ira que nós devíamos suportar derrama-se sobre Ele”26. A compreensão da ação de Deus, que realiza a salvação do mundo pelo mistério da cruz, leva Papczyński a adotar a mesma medida em relação às ações e decisões das pessoas que representam a Igreja, o que resulta na capacidade de conciliar contrários aparentemente paradoxais: a submissão da fé e a oposição aos abusos27, a busca da fidelidade à própria consciência e às próprias convicções e a aceitação na fé das decisões da Igreja que a elas se opõem. Uma outra expressão de tal postura são também as ações relacionadas com a superação das dificuldades ligadas à aprovação da ordem. Pode-se supor que as variadas dificuldades, presentes desde o início da ação fundadora de Papczyński (tanto da parte de pessoas leigas como também de pessoas da Igreja, inclusive – por algum tempo – do bispo local João S. Witwicki) provocaram, por um lado, o aprofundamento da compreensão do mistério da Igreja e − por outro – a sua purificação28. As expressões presentes em muitos dos seus 25 Bł. S. PAPCZYŃSKI. Oświadczenie odchodzącego do Rzymu, p. 1412-1418. 26 CP, p. 1304. 27 Eloquentes são a esse respeito as tensões no período escolápio, o que assinalou em: Bł. S. PAPCZYŃSKI. Apologia wystąpenia z Zakonu Szkół Pobożnych, p. 1424-1453; cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Stanisław Papczyński..., op. cit., p. 126-142, 145-170. 28 Nesse contexto, digna de atenção é também a postura do beato Estanislau e a sua fé na Igreja no período da ação fundadora, e de maneira especial as tensões relacionadas com a busca da realização de uma nova comunidade visada e as decisões tantos dos bispos do lugar (S. Wierzbowski e J. S. Witwicki) como, depois, do papa Inocêncio XII. Visando à fundação de um instituto apostólico, baseado unicamente na Norma vitae por ele escrita, Papczyński teve de aceitar na fé as decisões que aprovavam inicialmente os marianos em estado eremítico e depois aceitar a Regula decem beneplacitorum, para a escolha da qual pessoalmente não teve influência e contrariamente aos seus propósitos primitivos. Ecos desses embates são visíveis em seus escritos e também nas suas biografias, onde impressiona o heroísmo da fé na presença de Cristo que atua em Sua Igreja. Finalmente vemos como o Fundador dos marianos desiste da “sua” visão em favor do que decide a Igreja, mas absolutamente não convencido de que realmente a vontade da Igreja se identifica com aquela visão da ordem a respeito da qual está profundamente convencido de que foi impressa pelo Espírito Santo em sua alma. Característica a esse respeito é uma frase sua durante a profissão dos votos solenes no dia 6 de junho de 1701: “Em nome da Santíssima Trindade, do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, e da Digníssima Virgem Maria, Mãe de Deus, eu, Estanislau de Jesus e Maria, indigno superior da Ordem da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, da Congregação Polonesa Auxiliadora dos Falecidos e dos Párocos, prometo e juro a Deus e à Santíssima Virgem Maria, a Todos os Santos, e a Ti, Digníssimo e Reverendíssimo Senhor Padre Francisco Pig-
RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==