A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

225 “na mente do Padre Fundador, Cristo e a Igreja são inseparáveis”19. Ele encontra as bases para tal constatação em Norma vitae (II 2), onde o Pe. Papczyński escreve: “Porque é assim que em voz alta exclama o Mestre Celestial: ‘Se alguém me ama, guardará minha palavra [Jo 14:23)’, o que deve ser entendido não apenas em relação à Sua santa doutrina e à Sagrada Escritura, mas também em relação aos preceitos e aos documentos da Sua santa Igreja, que pelo Espírito Santo Ele mesmo instrui e guia, e às decisões dos superiores, que dela provêm ou são por ela confirmadas”20. Tal compreensão do mistério da Igreja provoca efeitos práticos, importantes tanto para a vida do Fundador dos marianos como para a vida dos seus primeiros companheiros, de maneira especial na perspectiva das ações de fundação e das dificuldades encontradas. A convicção acerca da contínua presença do Espírito Santo na Igreja (a exemplo de Cristo, a quem o Espírito sempre conduziu para que Ele cumprisse a vontade do Pai21), guiado no Espírito através dos “superiores” estabelecidos, pessoas afinal frágeis e pecadoras, a exemplo de S. Pedro22, faz com que desperte em Papczyński a plena confiança tanto em relação ao que a Igreja proclama quanto em relação às suas decisões. Constituem uma expressão dessa confiança as suas profissões de fé e de submissão: “Creio em tudo em que crê a Santa Igreja Romana e no que futuramente ela apresentar para a crença” – dirá em Oblatio23. No final da sua vida, no Testamento primeiro, confessa: “Morro crendo em [tudo] aquilo em que crê a santa Madre Igreja, no que ela recomenda para a crença e no que depois (e isso para o mérito da fé) recomendar para a crença. Se alguma vez irrefletidamente eu tiver pensado, dito ou escrito algo contrário a essa fé, eu me retrato, e até quero que isso não tenha sido pensado, dito ou escrito”24. Quase em todos os escritos de Papczyński até hoje preservados repetem- -se como um refrão as expressões que apontam para a autoridade sobrenatural 19 Cf. J. CHRÓŚCIECHOWSKI MIC. Rozważania o duchu zakonnym Księży Marianów. Fawley Court, 1968, p. 27 (dat. AGM). 20 NV II 2. 21 IC, p. 694. 22 Vale a pena nesse contexto citar a reflexão presente em Inspectio cordis em que comenta a instituição de Pedro como o primeiro entre os Apóstolos: “’Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (Mt 16:19)’. Reflete como foi grande a Providência e a sabedoria divina por ter instituído o pecador Pedro, que havia negado a Cristo, como o chefe supremo da igreja, o chefe dos contingentes cristãos, o Seu sucessor, e não o inocente João ou o justo Tiago. Realmente, tínhamos necessidade de um pastor que soubesse perdoar às ovelhas desgarradas e, quando demonstrassem contrição, amavelmente aceitá- -las no redil de Cristo. Porquanto ele, visto que também um dia caiu, conheceu como é grande no homem a tendência a transgressões e a facilidade de queda, mas, quando novamente se levanta, como é grande a vontade de praticar o bem”. IC, p. 879. 23 Oblatio, p. 1423. 24 Bł. S. PAPCZYŃSKI. Testamenum Primum, p. 1486.

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