A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

224 continuamente trabalham e se cobrem de suor. Um ensina, outro age; um fertiliza com a Palavra Divina o campo das almas dos fiéis, e outro, pelo exercício da Penitência, purifica-as das manchas do pecado. Ninguém prova o descanso, todos trabalham em turnos e por diversas obras de amor buscam a perfeição, e preocupam-se apenas em fazer com que a vinha proporcione ao Senhor abundantes frutos, que O possam satisfazer e alegrar”15. A Igreja como uma coletividade fundada por Cristo é ao mesmo tempo instrumento de salvação e santificação, onde Ele confiou aos discípulos diversos cargos e funções para que cresçam em santidade todos os seus membros16. É uma comunidade de discípulos que professam a fé no Filho de Deus Encarnado, Salvador do mundo, que aboliu todo o culto das criaturas, destruiu a idolatria e atraiu para a verdadeira fé pessoas de diversas raças e nações, para finalmente “reinar em toda a parte nas mentes, nas almas e nos corações humanos”17. E a viva e verdadeira presença do Espírito Santo, que cria de muitos membros um só corpo e que os enraíza em Cristo ressuscitado, a exemplo de ramos que crescem juntamente com a vide, faz com que a Igreja, na opinião de Papczyński, seja tratada como uma realidade divino-humana, um espaço da graça e de doação de Deus (especialmente nos sacramentos), bem como um lugar onde Deus revela a Sua salfívica vontade; é também um instituído prolongamento da salvífica missão de Cristo, Salvador do mundo, o qual, “querendo que ninguém se perca, envia os Apóstolos a todas as regiões, províncias, estados e reinos, e até ao mundo inteiro, para que eles apontem o caminho da salvação”18. Em razão disso, pode-se perceber que nos textos analisados ocorre uma forte agregação de Cristo e da Igreja, sobretudo no aspecto da sua natureza e missão. Parece que justamente essas premissas levaram J. Chróściechowski MIC à convicção de que 15 IC, p. 651. Vale a pena citar mais um trecho de Inspectio cordis, onde também podem ser percebidas alusões ao ideal da Igreja como uma coletividade perfeitamente organizada, que serve à obra da salvação. Trata-se de uma meditação a respeito da mesma parábola do Evangelho segundo S. Mateus: “Leva em conta que o dono é Cristo, a vinha é a Igreja, os ramos da videira na vinha são as almas dos fiéis, e os operários são tanto os leigos como os religiosos, que já foram precedidos por muitos: no início pelos santos Apóstolos, que fundaram e cultivaram a vinha com o próprio dono Cristo, a seguir pelos mártires, com cujo sangue ela foi orvalhada, e pelas virgens, com cujos lírios da virgindade e diversas flores de mui aromáticas virtudes ela resplandece adornada”. IC, p. 650; cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Teologiczne podstawy życia..., op. cit., p. 92. 16 Vale a pena acrescentar de imediato que Papczyński estende também para a esfera da vida religiosa a instituição dos cargos que servem ao crescimento da Igreja e à difusão da obra da salvação, estabelecidos por Cristo. Ele expressa isso numa das reflexões em Inspectio cordis: “[Por Cristo] em Sua Igreja foram [...] instituídos diversos mentores, tais como doutores e mestres, e para ti, para explicar os Seus pronunciamentos foram destacados os teus superiores religiosos, os mestres espirituais e os diretores de consciência; por isso, também por Ele será bem visto e para ti salutar se a eles te dirigires para dirimir as tuas dúvidas”. IC, p. 708. 17 IC, p. 736. 18 Ibidem, p. 737.

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