A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

223 a imagem da Igreja. Em razão disso, então, ao traçar o ideal da Congregação dos Padres Marianos, alude em Norma vitae à imagem da “Igreja primitiva” (“primaeva Ecclesia”), reunida pelo Espírito Santo em volta do Cristo ressuscitado, na qual todos os crentes tinham um só coração e uma só alma (cf. At 4:32)10. No âmbito da Igreja como corpo deve ser visto também o símbolo frequentemente utilizado por Papczyński da vinha ou da videira, onde Cristo é apresentado como o “Agricultor” ou a Vide, e os membros da Igreja – como os ramos ou os operários que cultivam o campo e que cumprem determinadas tarefas que lhes são atribuídas pelo Agricultor. A imagem do “corpo”, que pertence à categoria das teologicamente mais abrangentes, permite apresentar mais amplamente a profunda e vivificante unidade de todos os membros com o Chefe, bem como o seu vínculo mútuo, o que também é o motivo da sua frequente utilização pelo Fundador dos marianos11. Mas, por outro lado, oferece também a possibilidade de representar a Igreja nas categorias assinaladas pela eclesiologia pós-tridentina, isto é, como uma sociedade perfeita – “societas perfecta”12. E realmente, na visão de Papczyński pode ser percebida a dupla dimensão da interpretação desse simbolismo. Comentando a parábola sobre a videira e os ramos, parafraseia a palavra divina e estimula a uma frutuosa permanência em Cristo, em proximidade e familiaridade com Ele: “Permanece em Deus, e Deus estará presente em ti. Não te afastes do Seu coração, e Ele não se afastará do teu”13. A permanência com Cristo e em Cristo, representada nos símbolos da vinha e do ramo da videira e abordada na categoria do relacionamento pessoal e do amor que unifica os membros com a Cabeça são as marcas de uma visão da igreja como corpo. Ocorre, no entanto, que essas mesmas imagens assumem as características de uma “societas perfecta”, de uma comunidade fundada por Cristo a exemplo de uma sociedade humana perfeitamente organizada, servindo à obra da salvação das almas, cujos meios são: a Palavra Divina, os sacramentos, as verdades da fé e a autoridade religiosa. Trata-se também de uma importante visão da Igreja nos escritos do Fundador dos marianos, o que é comprovado pelos seus pronunciamentos espalhados por diversos lugares14. Meditando nesse contexto sobre a parábola da vinha (Mt 20:1-16), ensina: “Observa que essa vinha do Celestial Senhor é a verdadeira Igreja, na qual inúmeros operários 10 NV II 4. 11 Cf. M. KOZAK MIC, op. cit., p. 60. 12 Cf. Cz. BARTNIK. Kościół. Kształtowanie się pojęcia. In: EK, t. IX. Lublin, 2002, 998. 13 IC. P. 852. 14 Parece que M. KOZAK MIC não valorizou essa concepção eclesiológica em suas pesquisas, porque, embora observe a presença de elementos seus nos escritos de Papczyński, ressalva que “o Pe. Estanislau busca nitidamente uma outra direção, dando a ênfase principal ao amor e à submissão que une todos os membros do ‘corpo’”. Cf. M. KOZAK MIC, op. cit., p. 61.

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