A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

221 sejam recriados ao menos nos seus contornos gerais. Essa problemática, no entanto, está quase que ausente nos demais escritos da primitiva tradição da Congregação dos Padres Marianos. Apenas a Regula decem beneplacitorum, ao abordar a virtude da fé, afirma que para possuí-la não convém envolver-se em curiosas ou escrupulosas fantasias, mas é preciso crer como crê a “santa madre Igreja”. Além disso, o autor da regra lembra a necessidade da obediência e do respeito à Santa Sé e da submissão à Santa Igreja Romana, o que é uma condição para preservar tanto as virtudes como os beneplácitos da Virgem Maria. Os religiosos devem também rezar pelo papa e pelo estado favorável da Igreja3. Esses pronunciamentos, de caráter instrutivo, permanecem sem desenvolvimento ou comentário. Embora algumas partes da biografia do beato Estanislau (de Leporini) ou áreas da vida religiosa sejam localizadas no contexto da realidade da Igreja, a Vita Fundatoris e os Statuta não contêm elementos eclesiológicos. Papczyński deixa também sem um esclarecimento mais amplo a divisão clássica da Igreja em “militante” (“ecclesia militans”), “triunfante” (ecclesia triumphans”) e “padecente” (“ecclesia purgans”)4. Observa, no entanto, que para a Igreja militante Cristo deixou a Eucaristia como alimento fortificante e supremo dom, enquanto que a Igreja triunfante “orgulha-se da visão beatífica da Santíssima Trindade”5. Da mesma forma, deixa sem um comentário mais aprofundado as definições da Igreja como aprisco, Esposa de Cristo e Mãe, ainda que se utilize desses nomes em muitas passagens, principalmente nas reflexões de Inspectio cordis. Percebe também questões típicas da Igreja, como a sua fundação por Cristo, o primado de Pedro, a comunhão dos santos ou ainda a entrega da Igreja a Maria – presente em Orator Crucifixus6. Mas também essas questões permanecem privadas de uma reflexão teológica e são abordadas em diversos contextos, geralmente de caráter ascético, buscando despertar determinadas posturas nos religiosos. Uma das definições preferidas da Igreja, adotada com bastante frequência (seja diretamente, seja através de descrições) por Papczyński em seus escritos é “Corpo da Igreja de Deus” (“corpus Ecclesiae Dei”), unido no Espírito e animado pelo amor. E, embora não se percebam nisso alusões diretas à doutrina de S. Paulo (cf. 1Cor 6:15ss., Ef 1:22ss., Cl 1:24), que encerra essa ideia, nem aos teólogos poloneses do século XVII, que desenvolviam essa visão da Igreja em relação à patrística7, sabe-se que ele conhecia tanto os textos paulinos, aos quais 3 Regula, p. 49. 4 Cf. M. KOZAK MIC, op. cit., p. 61. 5 IC, p. 740, 872. 6 Cf. M. KOZAK MIC, op. cit., p. 61-62; T. ROGALEWSKI MIC. Teologiczne podstawy życia..., op. cit., p. 91-94, 96-97. 7 Cf. K. RAHNER; H. VORGRIMLER. Mały słownik teologiczny. Trad. T. Mieczkowski; P. Pach-

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