217 servação e a responsabilidade pelas transgressões contra ela. Porque, embora as “almas puras” sejam mais agradáveis a Deus que as outras, isso não significa que não estejam expostas a tentações contra a castidade. Podem ocorrer situações em que alguém, “por permissão divina, não sente tentações contra essa virtude”, no entanto essa não é a situação comum. Isso demonstra que alguém recebeu uma graça extraordinária, definida por ele com a categoria de “cíngulo da castidade” (“cingulum castitatis” e “cingulum castimoniae”)164, ou ainda que “é demasiadamente fraco para poder ser submetido a uma prova” ou “não é digno disso”. Mas aquele que é provado deve-se lembrar de que “realmente isso acontece por uma grande graça do Deus bondosíssimo e previdentíssimo”165. Quando alguém passa por provações, como acredita o beato Estanislau, deve por isso dar a Deus “as maiores graças”, porque é dessa forma que se manifesta a confiança de Deus no homem, o amor divino a ele e o poder da graça divina. Através da provação descobre-se também a natureza da castidade como um dom e a condição humana; essa virtude angelical, como ensina o Fundador dos marianos, está depositada num “vaso frágil”. A provação é, portanto, um sinal de que Deus convoca a pessoa a empreender determinadas ações que servem ao fortalecimento do vaso frágil da natureza humana e a moldar uma tendência constante a viver na pureza do coração. Essas ações envolvem: o domínio de todos os sentidos; o controle da curiosidade, da frivolidade e da preguiça; a leitura de assuntos adequados; o desvelo pela pureza do pensamento, da imaginação e dos sentimentos. No entanto, o que mais serve à observância da castidade é a fidelidade nas coisas pequenas, o amor à vida de oração, o desvelo pela verdadeira vida espiritual e pelo humilde vínculo com Deus e com os santos no céu (sendo especialmente importante a intercessão de Nossa Senhora), além da fuga de situações que possam levar ao pecado166. Os pecados da impureza podem, entretanto, resultar de outras causas, não apenas da impureza do coração, visto que “por permissão divina peca-se na área da castidade em razão do orgulho, e algumas vezes muito insignificante”167. A virtude e o voto de castidade, que Papczyński situa na perspectiva mais ampla da vida com Deus, demonstram que esses elementos essenciais da vida religiosa estão estreitamente entrelaçados. A doutrina sobre os votos, tanto nos escritos de Papczyński como em outros documentos da primitiva tradição dos marianos, tem um caráter essencialmente prático. Certas exceções a esse respeito são as marcas teológico164 Ibidem, p. 836, 889. 165 IC, p. 990. 166 Ibidem, p. 990-993; cf. também: A. PAKUŁA MIC. Idea doskonałości zakonnej..., op. cit., p. 51ss. 167 IC, p. 992.
RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==