A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

210 3.2. Pobreza A essência da pobreza religiosa, de acordo com o que preceitua a Norma vitae, “consiste em que ninguém, sem a autorização do superior, possua qualquer coisa como particular ou ouse chamá-la de própria”134. Fornecendo a fundamentação desse voto, da mesma forma que no caso da obediência, Papczyński aponta para o exemplo de Jesus Cristo e para a Sua doutrina. Dentre os textos bíblicos, cita uma frase extraída do Evangelho segundo S. Lucas (14:33) recomendando que, para ser um verdadeiro discípulo de Cristo, é preciso renunciar a tudo o que se possui; recomenda também distribuir “o patrimônio herdado e os bens, se [alguém] os possuir no mundo”, antes de fazer a profissão. Alude pela segunda vez ao exemplo de Cristo quando lembra que o religioso “deve recordar e também imitar a penúria do Rei celestial, o qual – como lemos – não possuía sequer uma residência própria [cf. Mt 8:20; Lc 9:58] e, estando certa vez com sede, não teve vergonha de pedir água [cf. Jo 4:7]”135. Além disso, o legislador aborda algumas questões práticas que fazem parte do âmbito da pobreza: a forma de tratar as coisas fornecidas para o uso, a entrega de todos os rendimentos ao caixa comum, independentemente da sua origem, e uma relação das coisas proibidas de ser guardadas na cela religiosa. E, sintetizando o item dedicado ao voto da pobreza, enfatiza que os marianos, especialmente caso se encontrarem numa situação de “máxima pobreza”, devem alegrar-se, visto que então podem “ser verdadeiros discípulos de Cristo Senhor e Seus imitadores”136. Prontamente convém observar que a expressão “máxima pobreza” (“summa paupertas”), utilizada em Norma vitae, é por um lado sinal do amor pessoal à pobreza evangélica do Fundador dos marianos e – por outro – um eco distante das disputas travadas na Ordem das Escolas Pias a respeito do voto da pobreza na sua forma suprema, no que o beato Estanislau esteve ativamente envolvido. Ele se pronunciou decididamente pela “máxima pobreza”137, que devia ser um dos traços característicos tanto da espiritualidade de S. José de Calazans como da comunidade religiosa por ele fundada138. O profundo amor de Estanislau Papczyński à “máxima pobreza” 134 NV III 2; cf. também: J. KAŁOWSKI MIC. Początki mariańskiego ustawodawstwa..., op. cit., p. 27. 135 NV III 2; cf. também: K. KRZYŻANOWSKI MIC. Stanislaus a Jesu Maria..., op. cit., p. 447450. 136 NV III 2. 137 Cf. bł. S. PAPCZYŃSKI. Apologia wystąpienia z Zakonu Szkół Pobożnych, p. 1443; cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Stanislaus Papczyński..., op. cit., p. 121ss. Pronunciando-se decididamente a favor da mais estrita observância no espírito de S. Calazans e do seu ideal da “máxima pobreza”, Papczyński escreveu um opúsculo intitulado Apologia pro summa paupertate. Infelizmente, essa obra não se preservou até o nosso tempo. Cf. Positio, p. 268 (nota 2). 138 De fato, no ato da profissão de S. José de Calazans ocorre a formulação do voto da “máxima

RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==