A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

206 pessoas religiosas se expressa de variadas formas, sobretudo pelas decisões dos superiores legais120. Partilham esse mesmo ponto de vista também os Statuta, que, embora não repitam com Papczyński a visão cristocêntrica da obediência, já nas suas primeiras palavras afirmam que “a Deus é mais agradável a obediência que o sacrifício, e o holocausto que mais Lhe agrada é a renúncia à vontade própria”121. Coerentemente, edificam então a concepção desse voto como um sinal de submissão sobretudo a Deus. E a dependência dos superiores, por sua vez, seria uma expressão de submissão a Deus, porquanto – como argumentam – “todo poder procede de Deus, e aqueles que a ele se opõem, opõem-se a Deus”, e – em segundo lugar – os superiores não agem em seu próprio nome, mas são “como que substitutos de Cristo” (“tamquam Christi vicarii”) e “como que figurantes do próprio Senhor” (“quasi ipsius Domini figurantes”). Em razão disso, como ensina o legislador, os religiosos devem ser obedientes aos seus superiores, “valorosamente, com nobre prontidão, humildade, perfeição e perseverança”. Por outro lado, devem também evitar aquilo que se opõe à obediência religiosa e é um sinal de revolta: “a murmuração, o incitamento de queixas contra as disposições dos superiores e a oposição a elas”122. Os Statuta, como anteriormente a Norma vitae, após uma prévia apresentação das normas gerais relacionadas com a correta compreensão do voto da obediência, fornecem alguns itens que regulam a vida religiosa, envolvidos – na opinião do legislador – pela matéria do voto. São eles: o procedimento dos religiosos em relação aos funcionários de nível inferior, que ajudam ao superior no cumprimento da função, e as normas de procedimento destes em relação aos superiores legais; as regras de procedimento no caso de afastamento do convento para tratar de assuntos pessoais ou do convento; as normas de procedimento do superior em relação aos subordinados durante o exercício do cargo; as formas de comportamento dos subordinados em relação aos superiores e, principalmente em situações de clara desobediência do religioso, nas disputas e nos conflitos entre o subordinado e o superior123. O âmbito dos assuntos abordados pelos Statuta no contexto do voto de obediência é sensivelmente ampliado em relação à Norma vitae, visto que Papczyński, numa construção semelhante do capítulo, considera apenas três questões: o relacionamento mútuo entre os diversos órgãos do poder religioso, com a recomen120 NV III 1. 121 Statuta II 1. 122 Ibidem. A ideia que aborda a posição dos superiores no relacionamento com Cristo, presente em Statuta (“Christi vicarii” ou “ipsius Domini figurantes”) combina com uma abordagem semelhante em Inspectio cordis, onde Papczyński ensina que “os superiores são como que o Cristo” (“superiores instar Christi”). Essas expressões têm como tarefa enfatizar o caráter sobrenatural do voto da obediência. Cf. IC, p. 734-735. 123 Statuta, II 2-5.

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