205 O ingresso no caminho da imitação de Cristo pela profissão dos conselhos evangélicos defronta-se, no entanto, com variados obstáculos, que o beato Estanislau divide em dois grupos: são os “bens exteriores, os cargos, as dignidades e as riquezas”, e os obstáculos interiores, relacionados com as tendências desordenadas do coração e da mente humana, como “a ganância, a devassidão, a desordenada familiaridade e o amor corporal”116. Não há dúvida de que, embora Papczyński não se refira diretamente à expressão joanina a respeito da concupiscência da carne, dos olhos e do orgulho deste mundo (cf. 1Jo 2:16) – o tríplice obstáculo no perfeito amor a Deus e ao próximo, ele partilha dessa tradicional forma de fundamentar os três votos religiosos117. Os votos são, portanto, uma expressão de perfeito amor a Deus, ultrapassando todas as limitações do coração humano no mundo, inclusive aquelas resultantes do pecado e da sua herança. E, como são ao mesmo tempo um dom concedido pelo Espírito Santo à pessoa na comunidade da Igreja, cumprem o papel de um signo do primado de Deus e da Sua graça. Para a confirmação na graça da vocação, ambos os legisladores marianos recomendam a renovação dos votos: a Norma vitae recomenda que sejam renovados todos os dias e individualmente diante do Santíssimo Sacramento; os Statuta recomendam que isso seja feito comunitariamente, na festa da Imaculada Conceição da SVM, estimulando ao mesmo tempo à sua renovação particular durante o sacrifício da santa missa118. Ambos os documentos enfatizam os efeitos formativos dessa prática. 3.1. Obediência A fundamentação básica do voto da obediência, para a qual aponta Papczyński em Norma vitae, é a vida de Cristo plenamente submissa ao Pai, especialmente o momento da sua entrega para a ignominiosa morte. Afirma por isso: “Tomai o estímulo e o exemplo da obediência do próprio nosso Redentor, o qual ‘humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz! [Fl 2:8]’”119. A obediência tem para ele um caráter cristiforme, deve decorrer do desejo de assemelhar-se a Cristo e de buscar a perfeição evangélica. Por sua vez a Sua imitação na total submissão ao Pai em tudo, decorrente do amor, leva a “reinar com Cristo”, isto é, a coparticipar da Sua exultação. Por isso, nesse contexto o legislador enfatiza que “o tipo da maior tolice” é opor-se “ao propósito divino”, que para as 116 IC, p. 741. 117 Cf. M. DANILUK SCJ. Encyklopedia instytutów..., op. cit., p. 315. 118 NV V 6; Statuta IV 8. 119 NV III 1; cf. também: J. KAŁOWSKI MIC. Początki mariańskiego ustawodawstwa..., op. cit., p. 25.
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