204 detalhada, o que cabe às constituições religiosas, na abordagem das diversas virtudes chama também a atenção a alguns aspectos práticos da vida religiosa. A seguir, a Inspectio cordis, além de muitos textos dispersos que abordam a questão dos votos religiosos, contém meditações que, de acordo com o caráter ascético dessa obra, as analisam geralmente na categoria de virtudes, sendo a sequência ali a seguinte: obediência, castidade, pobreza. No relacionamento interior dos votos, Papczyński decididamente enfatiza a primazia da obediência, que chama de “mãe de todas as virtudes, da qual dependem os dois votos restantes”112. E a localização do voto da castidade no final, em Norma vitae, é por ele fundamentada com a afirmação de que “a obediência preserva a castidade, e a pobreza a alimenta; por isso, o espírito que se empenha diligentemente pela castidade deve exercitar-se na obediência e na pobreza, e a possuirá”113. Os três votos, compreendidos como um sinal concreto da profissão religiosa e do caminho de vida segundo os conselhos evangélicos, são considerados por Papczyński sobretudo como uma marca característica da vida religiosa e são por ele localizados numa perspectiva cristológica. Os votos são para ele a forma mais perfeita de vida cristã, cujo protótipo percebe na vida de Cristo e dos Seus primeiros discípulos. Assumindo o caminho dos conselhos evangélicos e fazendo a profissão, os religiosos buscam a fiel imitação da vida de Cristo, que “pela palavra e pelo exemplo” ensinou “a observância da obediência, da pobreza e da castidade”114. Trata-se de um caminho de fé e de assimilação mais estreita a Cristo, com o qual a pessoa se liga através dos votos, ingressando num novo relacionamento de amor nupcial e sacrificando tudo por Ele. Exemplo de tal postura são para Papczyński os Apóstolos; na vida e nas posturas deles, descritas nas páginas do Novo Testamento, percebe ele a plenitude da realização do ideal evangélico. A vida religiosa, cujo formato ele esboça em seus escritos, é por ele considerada como um estilo apostólico de vida, porquanto, como afirma em uma das reflexões, foram os religiosos que “como herança receberam dos Apóstolos os conselhos evangélicos”115. 112 Ibidem, p. 986; cf. também: A. PAKUŁA MIC. Śluby zakonne w “Inspectio cordis” ojca Stanisława Papczyńskiego. In: A. PAKUŁA MIC (red.). Abyście nie stali bezczynnie w winnicy Pańskiej. Materiały Komisji przygotowawczej Zgromadzenie Księży Marianów do beatyfikacji Założyciela Czcigodnego Sługi Bożego Ojca Stanisława Papczyńskiego. Warszawa-Stockbridge, 2006, p. 199. 113 NV, III 3. Exatamente a mesma frase é repetida em Statuta, II 10. 114 IC, p. 899. Referências a Cristo na apresentação dos votos encontram-se presentes em muitas passagens de Inspectio cordis; vale a pena apontar, por exemplo, para: p. 846, 899, 918-919. 115 Ibidem, p. 718. Papczyński apresenta esse pensamento em diversas passagens de Inspectio cordis. Vale a pena citar mais uma expressão característica: “Oh, felizes religiosos, que devem ser considerados quase como que os sucessores dos Apóstolos, de tal forma que, quem é chamado para a vida religiosa é como se tivesse sido chamado para a santa função apostólica!”. IC, p. 909.
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