201 é ao mesmo tempo um banquete humano, isto é, de uma comunidade dos cristãos entre si. Lembrado de que endereça as suas reflexões aos religiosos, o beato Estanislau ensina que a Eucaristia não é para eles apenas um “sagrado banquete divino” (“sacrum Dei convivium”), mas, em razão do novo relacionamento estabelecido durante a consagração, transforma-se em místicas “bodas com o imortal Esposo”104. O Corpo de Cristo consumido nesse banquete – o “pão vivificante” e o Seu Sangue – a “salutar bebida” – é “uma abençoada refeição, que ao mesmo tempo purifica interiormente a alma humana e a fortalece! Afasta a doença e infunde uma nova força! É remédio e alimento!”105. O consumo da refeição eucarística é ao mesmo tempo o ingresso de quem a recebe num relacionamento pessoal com o Cristo que se doa ao homem e, por mais numerosos que sejam os que se aproximam da santa Comunhão, sempre é consumido o Cristo todo (“totus Christus”), que ao mesmo tempo permanece íntegro (“integer”), não dividido em partes (“non discerpitur”), não diminuído (“non diminuitur”)106. Nunca deixa de ser o Deus-Homem vivo e todo-poderoso, que por amor ao homem entregou a si mesmo para a salvífica paixão e morte e no terceiro dia ressuscitou. O banquete eucarístico é de certa forma um sinal daquela mesma entrega pessoal de Cristo ao homem que se realizou na história, e a prova do Seu amor é a “Sua distribuição a todos”, de tal maneira que o Deus Encarnado “se torna alimento tanto dos bons como dos ímpios”107. Na apresentação do sacramento da Eucaristia em Inspectio cordis, Papczyński com muita frequência repete expressões de enlevo visando a dar graças a Cristo por esse “grande e inconcebível dom”. Percebe igualmente a necessidade de uma “preparação muito cuidadosa” para cada recepção da Comunhão e ensina que o fruto da sua recepção depende da fé e do amor de quem a recebe. Esti104 As definições da Eucaristia como “convivium” ou “nuptiae”, normalmente com a adição de algum adjetivo (o “convivium” pode ser “sanctissimum”, “lautum”, “exquisitissimum”, “Dei Hominis convivium”; as “nuptiae” são definidas como “mysticae”, “nuptias cum Agno”) fazem parte das definições eucarísticas prediletas de Papczyński em Inspectio cordis. Cf. p. 633, 646, 709, 711, 726, 740, 742, 753, 775, 777, 779, 784, 793-794, 795, 815, 823, 825, 833, 847, 867, 872-874, 932, 938-939, 979, 1028. Nesse contexto vale a pena apresentar como exemplo uma das reflexões características antes da Comunhão: “Hoje, alma minha, és convidada para as núpcias (“nuptiae”) pelo Imortal Esposo. Ele te convida para as núpcias celestiais, nas quais haverá um banquete (“convivium”) que supera todos os banquetes do mundo, visto que o alimento será nela o próprio Deus. Põe a tua vestimenta, rapidamente veste o elegante traje da bela humildade, porquanto nessas núpcias do Celestial Senhor ninguém estará mais belamente vestido e melhor recebido do que aquele que se revestir da humildade. Ninguém sem essa valiosíssima toga será admitido ao banquete. Cuida, alma minha, para não vires sem essa veste para o solene ato dos esponsais, a fim de que não sejas convidada para retirar-te, com as palavras: ‘Como entraste aqui sem a veste nupcial? [cf. Mt 22:12]’”. IC, p. 633; cf. A. PAKUŁA MIC. Idea doskonałości zakonnej..., op. cit. p.55 ss. 105 IC, p. 733; cf. também: K. KRZYŻANOWSKI MIC. Stanislaus a Jesu Maria..., op. cit., p. 221223. 106 IC, p. 741. 107 IC, p. 624; cf. também: IC, p. 680-682, 742, 775-780, 939.
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