A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

200 Na opinião de Papczyński, a doação total de si mesmo, que Cristo faz na Eucaristia, conduz à sua descoberta como meio de união com o Deus-Homem e de permanência em comunhão com Ele. O Senhor e Redentor Ressuscitado dá “para ser consumida a Sua divindade juntamente com a santíssima humanidade, oculta em razão de ti pela nuvem do pão”100. Por sua vez o homem, animado pela ação interior do Espírito Santo, não apenas recebe esse dom, mas sobretudo com Ele se unifica espiritual e corporalmente (“corporaliter”). Com razão observa S. Urbański que para Estanislau Papczyński a Eucaristia é a fonte da vida mística, visto que ela unifica e ao mesmo transforma o cristão no encontro com Cristo101. Porque, quando a entrega de Jesus Eucarístico ao homem se encontra com o desejo do religioso de entregar-se a Deus, por ser ele chamado a isso pelo batismo e pela consagração, como fruto desse encontro realiza-se a união das pessoas. A vida humana é incluída no círculo da vida de Deus, e “Cristo, Sol da Justiça, nosso Deus, ao entrar na residência da alma”102, introduz uma peculiar transformação do homem a partir do seu interior. Além disso, o Fundador dos marianos enfatiza que essa transformação interior do homem de “velho” em “novo”, que vive com a lei do amor segundo o Espírito – igualmente concedido na Comunhão −, não apenas conduz à união com Deus, mas sobretudo provoca uma profunda assimilação a Cristo. Através do recebimento do Deus-Homem na Comunhão, observa o autor de Inspectio cordis, Ele mesmo como que se incorpora (“incorporare”) naquele que O recebe, “transfigura o seu coração e a sua alma” (“transfigurare”), para finalmente “transformá-lo (“transformare”) todo em si”103. Em razão disso, portanto, a Eucaristia encerra em si uma dimensão personalista, porque não apenas é uma união de pessoas (de Deus e do homem) que resulta na assimilação a Cristo, mas também penetra toda a pessoa humana e influencia a sua vida em todas as suas manifestações. De acordo com a convicção de Papczyński, a Eucaristia é também um banquete, e num duplo sentido. Primeiramente, é um baquete de Cristo com a comunidade dos Seus discípulos, aos quais Ele mesmo se dá como alimento; mas 100 Ibidem, p. 667. 101 Cf. S. URBAŃSKI. Zatopieni w Bogu..., op. cit., p. 77. 102 IC, p. 615. A apresentação da Comunhão recebida como o ingresso de Cristo na residência da alma (eventualmente do coração) é uma das formas prediletas do ensino de Papczyński. Cf. IC, p 643, 644, 670, 680, 695, 700, 724-727, 730, 852, 958, 979. Pode-se supor que essa ideia seja uma forma de representar o homem como templo místico de Deus, o que encontrou a sua expressão em Templum Dei Mysticum. 103 Em razão do significado dos termos utilizados por Papczyński (e da sua tradução um pouco diferente em Pisma zebrane), vale a pena apresentar as citações na língua original: “Itaque precare ab eo in hac sacratissima Communione, ut cor tuum, animamque trasnfiguret, et in se totum te transformet”. IC, p. 65. Um outro trecho: “[... ] iam hodie alium hominem sumpto Deo Homine induere debes. Nam si ille per afflatum Discipulis dedit suum Spiritum, tibi profecto eundem non subtrahet, cum quodammodo sese tibi incorporavit”. IC, p. 536.

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