187 so das virtudes; e a ampliação do objeto da mortificação para a dimensão interior é relacionada com a ênfase da mortificação dos sentimentos, da inteligência e da vontade e com o esforço para assemelhar-se a Cristo: “A ti ordenou que tratasses a tua alma com ódio, isto é, mortificando os teus maus sentimentos, as paixões, os desejos, a inteligência, o juízo, a vontade; da mesma forma Ele entregou a Sua alma por ti quando suportou as más línguas, as ofensas, as pragas e as blasfêmias dos judeus e dos fariseus, que pacientemente suportou não no corpo, mas na alma”57. Diante disso, Papczyński apresenta o âmbito do significado ascético da mortificação como bastante amplo: algumas vezes relaciona-a com a imitação de Cristo, conferindo-lhe o critério da autenticidade da Sua imitação e do amor a Ele; outras vezes considera-a como o sinal do real acolhimento do preceito evangélico de aceitar a cruz (cf. Mt 16:24-28) e como a prova exterior de que “com a máxima violência se conquista o reino dos céus” (cf. Mt 11:12); ocorre também que a identifica com a expressão exterior da voluntária escolha de Deus e da autenticidade da vida espiritual, bem como da consciente escolha da virtude e da graça, com a rejeição daquilo que é corporal, sensual e pecaminoso; identifica-a igualmente com o cumprimento do preceito evangélico de estar atento e permanecer vigilante para a vinda do Senhor (cf. Lc 12, 35-40)58. Um traço que pode ser reconhecido como característico do beato Estanislau é que ele confere à postura da mortificação uma dimensão escatológica. Visto que a vida cristã visa à ressurreição a exemplo de Cristo e à vida igual à Dele, ao constatar a necessidade da mortificação na vida temporal Papczyński não estimula à destruição do “corpo”, mas à sua subordinação ao espírito, com o cuidado de prepará-lo adequadamente para a gloriosa ressurreição dos mortos. Ensina, portanto: “Devemos mortificar o nosso corpo para que possa mais gloriosamente ressuscitar, pois, como o Salvador disse na parábola: ‘Se a semente de trigo caída na terra não morrer, não produzirá nenhum fruto’”59. Além disso, ele relaciona a mortificação com a futura recompensa que Deus preparou para aqueles que por verdadeiro amor a Ele empreenderem o esforço de lutar com as próprias fraquezas e com os próprios defeitos para servir à causa da salvação e do progresso pessoal na perfeição evangélica. Meditando no domingo de Páscoa o fato da ressurreição do Senhor (cf. Mc 16:6) e lembrando que a Seu exemplo todos ressuscitaremos, estimula: “Não tenhas também escrúpulos de ao mal, evita a gula e domina tanto a tendência à raiva como o desejo corporal, e dia a dia progride em diversos tipos de mortificações, porque somente elas protegem a alma da morte”. IC, p. 797. 57 Ibidem, p. 848-849; cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Koncepcja życia chrześcijańskiego..., op. cit., p. 88-94. 58 Cf. IC, p. 624, 680, 685-686, 705, 782, 835-838, 904, 1030; cf. também: E. MATULEWICZ. Problemy chrześcijańskiej ascezy..., op. cit., p. 120-136. 59 IC, p. 1058.
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