166 pecial privilégio, foi excluída do infeliz destino de todos os homens? Concebida sem a mácula original, abundantemente agraciada com uma imensidão de graças e elevada acima de todas as criaturas?”115. As reflexões teológicas do beato Estanislau Papczyński sobre o mistério da Imaculada Conceição possuem sobretudo um caráter prático e têm como objetivo conduzir a um culto amplamente entendido. Essa forma de pensar já é perceptível no primeiro período da sua atividade pastoral, quando foi professor de retórica nos colégios das Escolas Pias. De fato, foi então que ele escreveu que é preciso “honrar a Virgem Mãe de Deus mais com o amor que com a eloquência”116. A propagação do culto da Imaculada Conceição a que aponta o Fundador dos marianos possui aspectos variados. Olhando-se para o conteúdo dos seus escritos direcionados especialmente aos religiosos e para a sua vida, parece ser evidente que ele considerava como a forma fundamental desse culto o testemunho de vida. Justamente por essa razão, em sua doutrina facilmente se pode perceber o constante encaminhamento da reflexão à moldagem de uma postura mariana, cujo traço distintivo é a apresentação de acontecimentos concretos da Sua vida, de maneira que a imitação alcance também determinados efeitos, inclusive aqueles assinalados pelo aspecto imaculatista117. No espaço teológico da propagação do culto da Imaculada Conceição pelo testemunho da vida, sem dúvida pode ser localizada também a instituição, pelo beato Estanislau Papczyński, da Congregação dos Padres Marianos, porquanto já a sua própria existência é uma forma de promover a Imaculada Conceição. Esse tipo de visão, perceptível na tradição mariana118, pode ser percebido sobretudo nas opiniões do Fundador dos marianos: a comunidade religiosa surgiu “em honra” da Imaculada Conceição, a profissão religiosa era feita “para a honra” da Imaculada Mãe de Deus e, finalmente, os próprios marianos são a “Congregação 115 IC, p. 946-947. 116 PRA, p. 214. 117 Vale a pena citar exemplos justamente desse tipo de ligação do ideal da imitação de Maria com a Sua Imaculada Conceição, presentes em Inspectio cordis: “Considera que, pela conciliação da nossa vontade com a vontade de Deus, abre-se para Ele um largo e real caminho até nós. Sem tal conciliação, nem o Filho de Deus teria descido ao seio da Intemerata (“intemerata”) Virgem. E, se o consentimento da vontade divina e a resignação da própria abriu a Deus o acesso ao coração humano e fez com que Ele se tornasse homem, da mesma forma Lhe preparará e abrirá o caminho ao teu coração”. IC, p. 14. Por ocasião da citação desse trecho vale a pena observar que para definir a Imaculada Conceição Papczyński se utiliza de dois conceitos latinos, isto é, “Immaculata” e, também com frequência, “Intemerata”. Na opinião de B. Kupis, ao utilizar o termo “Intemerata” o Fundador dos marianos parece aludir a um hino mariano do século XVI. Cf. B. KUPIS. Niedoceniony podręcznik..., op. cit., p. 216. 118 O Servo de Deus Casimiro Wyszyński fala em suas memórias de uma audiência com Bento XIV, na qual o papa teria expressado, com elogio e grande reconhecimento, que a Congregação tinha sido fundada para a maior honra da Imaculada Conceição da Virgem Maria. Cf. Z. PROCZEK. Kult Niepokalanego Poczęcia Najśw. Marii Panny. In: J. BUKOWICZ MIC, T. GÓRSKI MIC (red.). Marianie, Roma, 1975, p. 326.
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