A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

137 de graça, repleta do Espírito Santo”19. Chamando-A com enlevo de “a mais feliz das Virgens” e “a mais abençoada dentre as Mães”, afirma que essa distinção de Maria é singular e excepcional, e que, “do coro universal das santas mulheres, foi concedida unicamente a Ela”20. Papczyński vê a maternidade divina de Maria indissoluvelmente ligada com a Sua virgindade. Muitas vezes em suas reflexões, voltando a esse mistério da vida da Mãe do Senhor, não tanto busca o seu aprofundamento teológico quanto procura despertar no leitor a adoração de Deus pela perfeita obra da salvação, que lhe parece extraordinária e inalcançável pela mente humana. Meditando sobre o trecho do Evangelho de Mateus que anuncia o nascimento de Jesus (Mt 1: 18-25), escreve: “Não cabe a ti a investigação de tão profundo mistério da virgindade ligada à maternidade, e da maternidade ligada à virgindade. Deves antes espantar-te com o que foi feito pela tua salvação”. E em seguida afirma: “A Virgem permanece intocada, no entanto é Mãe; tem um Esposo, no entanto é Virgem. O Esposo da Virgem faz de cada um deles um lírio sem mancha, no entanto no meio deles dois surge o Filho e recebe a honra. Ó admirável mistério, cheio de espanto, digno de veneração! A Virgem não conheceu o marido, e traz em Seu seio ao mesmo tempo o Deus e o Homem, simultaneamente o Homem e Deus; o Deus nascido antes dos séculos do Pai, sem mãe; o Homem moldado no tempo na Mãe, sem pai, por obra do Espírito Santo. Realmente não existe um outro mistério tão grande, pelo qual devemos mais honrá-lo, admirá-lo e espantar-nos com ele. Entre as obras divinas, não existe nada de mais sublime. És pó e lama. Vê o que Deus fez por ti!”21. Através da maternidade divina, Maria ingressa num especial e singular relacionamento com o Filho de Deus, enfatiza Papczyński, comentando os diversos trechos do Novo Testamento, especialmente os que contêm elementos marianos. E depois, dependendo do conteúdo que apresenta a passagem meditada, tira conclusões que, ou servem para apresentar algum mistério da vida de Maria, ou estimulam a estabelecer um vínculo especial com a Mãe de Deus. Analisando os trechos meditados, pode-se perceber que o Fundador dos marianos quer demonstrar que o excepcional vínculo da Mãe Santíssima com Cristo está estreitamente unido com a missão de Cristo. Nesse sentido, comentando as bodas em Caná da Galileia e o primeiro milagre de Cristo (cf. Jo 2: 1-11), enfatiza que, “para o cumprimento desse milagre em Caná, foi necessária a dedicação e a obediência dos discípulos”, e para isso “despertou-os com o Seu estímulo a Mãe Santíssi19 IC, p. 839-840. 20 Ibidem, p. 840. 21 Ibidem, p. 839.

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