136 todas as Suas honras, graças, prerrogativas, privilégios e exceções. [...] Dá graças à Mãe porque destinou o Seu puríssimo sangue para a formação e a modelação do corpo do teu Salvador. Agradece também sem fim ao Filho porque do Seu santíssimo Corpo jorraram para ti as abundantes fontes do santíssimo Sangue”16. Papczyński relaciona a dignidade e a missão de Maria com a Sua maternidade, e é dela que extrai as conclusões básicas que definem a posição da Mãe de Cristo tanto em relação às diversas Pessoas da Santíssima Trindade como em relação ao religioso, ao qual direciona os textos submetidos à presente análise. Desperta no Fundador dos marianos um especial interesse, aliado ao espanto da fé, o relacionamento de Maria com as Pessoas Divinas no contexto da Sua virginal maternidade. Para expressar essa realidade, ele utiliza sobretudo três definições básicas: Filha de Deus Pai, Mãe do Filho de Deus, Esposa do Espírito Santo17. O Fundador extrai a maternidade de Maria da vontade do Pai Eterno e do Seu plano de salvar a humanidade. Deus planejou “antes dos séculos” que d’Ela nasceria o Salvador do mundo e por isso A agraciou com os dons e privilégios para isso necessários. E quando o eterno Filho de Deus – observa o beato Estanislau em Inspectio cordis – decidiu “realizar a grande obra” de “ser homem por amor ao homem e revestir a Sua divina majestade da insignificância humana”, preparou para si Maria, a “Arca perfeita”, na qual “permaneceu por nove meses”; desta forma “elevou um santuário em meio à Igreja”, que “foi santificado ainda mais pela Sua presença”18. Papczyński percebe igualmente um excepcional vínculo de Maria com o Espírito Santo, que ele igualmente relaciona com a maternidade de Nossa Senhora. Comentando a frase do Evangelho de S. Mateus de que “achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1: 18), observa que “a Santíssima Virgem Maria concebeu do Espírito Santo em Seu seio o Filho de Deus. Trata-se de um mistério, de uma graça, de um artigo de fé. Por isso, com razão foi dito que justamente conceberia do Espírito Santo Aquela que era cheia 16 IC, p. 914. Uma forma semelhante de argumentar a dignidade de Maria em relação à maternidade divina pode ser encontrada igualmente em outros escritos de Papczyński, como em Prodromus Reginae Artium: “Portanto, não deve despertar a admiração de ninguém ter sido destinada para ser a Mãe de Deus Aquela que por Deus foi ornamentada com tantas virtudes que simplesmente se torna difícil enumerá-las todas, e já com certeza ninguém dentre os homens poderia possuí-las todas de uma vez”. Cf. PRA, p. 218. 17 O mais característico desse tipo de definições é o “Louvor da Mãe de Deus Virgem Maria”, presente em Prodromus Reginae Artium. Trata-se do texto de um sermão pronunciado por Papczyński para o sodalício mariano, que, como exemplo da forma retórica do “louvor” (“laus”), foi incluído no manual de retórica. Eis um dos breves trechos desse sermão: “A Virgem se torna Mãe e, tendo-se tornado Mãe, não deixa de ser Virgem. O que é mais de admirar é que de Filha de Deus se torna Mãe do Filho, Esposa do Espírito Santo, receptáculo (“receptaculum”) de toda a Santíssima Trindade. Ó Virgem feliz, de tantos títulos adornada, de tantos dons e bens cumulada! E então a Filha de Deus dá à luz, e dá à luz o Filho de Deus. De um ser criado (“criatura”) nasce o Criador (“Creator”)”. PRA, p. 219. 18 IC, p. 911. Cf. A. PAKUŁA MIC. Idea doskonałości zakonnej… op. cit., p. 62-63.
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