114 prezar a glória que Deus preparou para os seguidores de Seu Filho, mas também o de menosprezar o próprio Cristo, que trilhou o caminho que conduz ao Pai e convida Seus discípulos a nele ingressar69. O estímulo interior do homem que o impele a imitar a Cristo, como observa Papczyński, tem a sua causa sobretudo na ação do próprio Cristo e do Espírito Santo, que desperta o primeiro “desejo do coração” para seguir os passos de Cristo e tornar-se semelhante a Ele70, já não apenas segundo as Suas palavras, mas também segundo as Suas ações, especialmente na Sua heroica postura de amor ao Pai e ao homem, expressa de diversas formas e, da forma mais clara, nos acontecimentos passionais. Esse desejo, condicionado por certo conhecimento prévio do mistério de Cristo (os primeiros discípulos, como informa Papczyński, primeiramente “ficaram sabendo quem Ele era”, e depois “seguiram os Seus passos”), encontra-se no início da busca de Cristo e incessantemente acompanha a pessoa no decorrer de toda a sua vida, porquanto, da forma como começou a existir em razão do encontro com Cristo e da inspiração do Espírito, assim também é continuamente por esse Espírito estimulado. O Fundador dos marianos observa, além disso, que o próprio fato de assumir a “sequela Christi” é um critério infalível de vida segundo o Espírito Santo e de ingresso no caminho da assimilação a Ele. Afirma ele, com efeito: “Considera como coisa certa que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia recebeste o verdadeiro Espírito do Senhor, se em teu coração permanece o desejo de imitar a vida de Cristo, e especialmente da Sua santíssima paixão. Trata-se, de fato, de um sinal infalível de que o Espírito Santo inflamou o teu coração, quando ele não apenas quis diligentemente contemplar a vida e as ações de Cristo, mas também, na medida do possível, imitá-las”71. O humano “desiderium cordis”, que tem a sua fonte na ação do Espírito Santo e na cooperação do homem, está impregnado da fé e do amor do discípulo que generosamente empreende o caminho da resposta a esse dom sobrenatural. Papczyński percebe essa lógica da “sequela Christi” na descrição da vocação do Apóstolo André e, comentando o correspondente trecho do Evangelho (Mt 4: 18-20), escreve: “Logo que aquele Sol incriado volta para alguém a luz da Sua graça, logo, tendo dissipado as trevas, confere à matéria informe um formato 69 IC, 610-612, 623. Cf. também: A. PAKUŁA MIC. Naśladowanie Chrystusa jako istotny wymiar duchowości zakonnej w pismach Stanisława Papczyńskiego OIC. In: J. M. POPŁAWSKI (red.). In Christo Redemptore. Księga pamiątkowa ku czci księdza Profesora Jerzego Misiurka. Lublin, 2001, p. 130. 70 O ideal da imitação de Cristo, para ser a Ele semelhante, está presente não apenas nos escritos religiosos de Papczyński. Vale a pena observar que também no tratado ascético Templum Dei Mysticum, cujo objetivo é apresentar a vocação universal à santidade, ele dedica atenção a esse assunto. Ali, reportando-se à autoridade de S. Bernardo, escreve: “Faze tudo como o Filho de Deus, para que sejas digno d’Aquele que amavelmente quis chamar-te filho”. TDM, p. 1185. 71 IC, p. 721. Cf. também: IC, p. 614.
RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==