113 bem como para o fato de que imitar a Cristo significa seguir os Seus passos, da mesma forma que seguiram os Seus passos os Apóstolos mencionados nos comentários. Nos conteúdos acima Papczyński frequentemente inclui estímulos de caráter moral, querendo apontar para a necessidade de uma transformação interior do religioso. Ocorre então que em tais situações ele contrapõe as posturas positivas às negativas, indiretamente definindo dessa forma como entende o ideal da “sequela Christi” e quais as marcas da falta da sua realização66. A principal razão do ideal da “sequela Christi” é a convicção do Fundador dos marianos acerca dos fundamentos evangélicos da vida religiosa, cuja essência é imitação de Cristo, que tende à “transformação” (“transformare”) e à “assimilação com Ele” (“conformare”)67. Consequentemente, entre as obrigações fundamentais da pessoa religiosa, enumera ele a ordem de imitar a Cristo. E quando, para despertar o zelo, cita os exemplos dos santos, categoricamente se empenha para que não seja ofuscado o exemplo mais fundamental do próprio Cristo68. A concepção da vida religiosa interpretada como “sequela Christi” é relacionada por Papczyński também com o objetivo geral da vida do homem, que foi apontado por Cristo através dos Seus ensinamentos, mas especialmente pelo Seu estilo de vida. Esse objetivo era assinalado por um especial vínculo com o Pai, com o amoroso cumprimento da Sua vontade e, finalmente, com o ingresso na “casa do Pai” (cf. Jo 14, 1ss.). Dessa forma também assinalou Ele o horizonte das aspirações de um religioso. Aludindo, além disso, à doutrina de S. Paulo (cf. Rm 8: 17), observa que no discípulo que segue os passos do Mestre deve manifestar-se a glória da nova vida, o que se realiza pela aceitação da forma de pensar e agir de Cristo, expressa pela fórmula paulina da necessidade de “vestir- -se de Jesus Cristo” (cf. Rm 13: 14). Por outro lado, no entanto, a rejeição do convite evangélico à imitação de Cristo acarreta não apenas o perigo de menos66 Um dos trechos característicos é a reflexão a respeito da vocação de Mateus: “Disse a ele: ‘Segue- -me’ [Mt 9: 9]. Leva em conta que o testemunho da verdadeira conversão é a real imitação de Cristo. Judas não se converteu porque, embora tivesse acompanhado Jesus, fez-Lhe uma companhia traiçoeira, cheio de hipocrisia seguiu os Seus passos, mas estava pensando na própria bolsa. De maneira diferente, como podes adivinhar, procedeu S. Mateus. Ele foi realmente um imitador de Cristo, visto que, tendo- -se levantado, seguiu os Seus passos. Do que se levantou? Do pecado. Aonde acompanhou a Cristo? À prática das virtudes. Eis que tens aqui, apresentada para ti, uma boa regra de imitar a Cristo: levantar- -se e segui-Lo. Se não te levantares, não serás capaz de segui-Lo, ainda que te pareça que estás seguindo os Seus passos. Se nos escaninhos da vontade própria escondes as bolsas do amor a ti mesmo e outras semelhantes, não segues a Cristo, não imitas verdadeiramente a Cristo, ainda que vistas o traje religioso, ainda que tenhas professado os votos da obediência, castidade e pobreza e disso te vanglories. Levanta-te, portanto, e segue-O, porque, se não te levantares, jamais O seguirás”. IC, p. 918-919. 67 Ibidem, p. 667, 686, 722 e outras. 68 É digno de nota que no Testamento segundo, deixado aos seus primeiros companheiros e ao mesmo tempo filhos espirituais, escreveu: “Deixo a imagem da minha pessoa aos curiosos de vê-la, e a imagem da vida de meu Senhor, Jesus Cristo, [aos religiosos] para ser imitada”. Bł. S. PAPCZYŃSKI. Testamentum alterum, p. 1497.
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