112 dor. O Guia nesse caminho é o próprio Cristo Eucarístico, que por meios a Ele conhecidos conduz os Seus discípulos para que – seguindo os Seus passos e com Ele caminhando – possam chegar à “casa do Pai”. Papczyński basicamente visa a fundamentar um ideal da “sequela Christi” cujo traço essencial é a imitação do Cristo todo, em todas as dimensões da Sua existência e ação64, de maneira a no fim – com a graça divina – moldar o religioso à Sua imagem. 2.2. Imitação e identificação com Cristo A localização de Cristo, pelo beato Estanislau Papczyński, no centro da espiritualidade religiosa não estava relacionada apenas com o propósito de apresentá-Lo como a “norma” – o modelo da vida religiosa. Pretendia ele sobretudo enfatizar o dinamismo do relacionamento que ocorre entre o Mestre e o Seu discípulo. A julgar pela frequência das alusões a passagens do Novo Testamento que descrevem o apelo de Cristo para seguir os Seus passos e que relacionam as respostas positivas ou negativas dos chamados, pode-se supor que o Fundador dos marianos entendia a imitação como o caminho. Para expressar o conteúdo teológico do ideal da imitação de Cristo, em regra utilizava-se do termo “sequere” e, algumas vezes, também de “imitare”. No entanto, enquanto nos textos analisados o verbo “imitare” pode igualmente referir-se à “imitação” dos santos, especialmente da Santíssima Virgem Maria, o “sequere” em princípio diz respeito apenas a “seguir os passos de” Cristo65. É também nesse sentido que geralmente é utilizado por Papczyński em Inspectio cordis, nos comentários aos trechos evangélicos que falam da imitação do Senhor pelos Apóstolos e na introdução de conclusões para o leitor. A utilização dos mesmos termos que são adotados no Evangelho para a definição do evangélico “seguir os passos de Cristo” (“Christi vestigia premere”) confere a esse ideal um dinamismo e o anima, fazendo ao mesmo tempo com que a imitação de Cristo – a “sequela Christi” – se torne de alguma forma supratemporal, porquanto aponta para o mesmo relacionamento entre o discípulo e o Mestre que está definido nas páginas do Novo Testamento, 64 A ideia da imitação do Cristo todo encontra-se também presente em Templum Dei Mysticum, onde escreve: “Que o corpo seja submisso ao espírito, e o espírito, à razão e à lei; tornemo-nos semelhantes à imagem do Filho de Deus (“conformes imagini Filii Dei”), e seremos coerdeiros do Seu reino celestial. Se juntamente [com Ele] sofrermos, juntamente com Ele seremos glorificados”. TDM, 1179. Karol Klauza percebe aqui “a motivação escatológica que serve à edificação do templo místico de Deus na alma do homem”. De fato, o trecho citado de Templum Dei Mysticum é localizado por Papczyński na parte dedicada às questões escatológicas. Cf. K. KLAUZA, op. cit., p. 121. 65 A única exceção, onde Papczyński fala da imitação dos santos utilizando-se da palavra “sequere” encontra-se em Inspectio cordis, na reflexão dedicada a S. Estanislau, bispo e mártir, onde estimula a seguir os passos do Mártir. Cf. IC, p. 861 (IC, ed. crítica, p. 263.)
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