111 da imitação do Cristo sofredor, apresentado muitas vezes como o traço característico da espiritualidade e o seu critério seguro. Por isso, com convicção ele escreve: “Deus quer que os religiosos que Lhe servem acompanhem os Seus passos no sofrimento. Toda cruz que lhes seja imposta deve ser por eles carregada não apenas valorosamente, mas também com alegria”61. Definitivamente, porém, ele relaciona a imitação de Cristo não tanto com a ordem de assumir a cruz, sem a qual não existe Cristo e, consequentemente, não existe imitador Seu − quanto com a perspectiva escatológica de com Ele cooperar, visto que “aqueles que a exemplo do Filho de Deus aceitam e bebem com toda a resignação o cálice do sofrimento, que interpretam como benefício o mal, que são acusados e injustamente condenados, que sem razão sofrem o ódio e as zombarias, que por amor a Cristo e para imitá-Lo suportam com serenidade de espírito todos os desprezos, adversidades, dificuldades, aflições, cruzes e perseguições, estes alcançarão a glória celestial e serão coerdeiros com o Filho de Deus”62. No pano de fundo da paixão de Cristo, que define a “sequela Christi”, encontra-se também presente a dimensão pascal: a passagem da morte para a vida. Esse motivo, embora nem sempre de forma direta aluda à paixão de Cristo, está sempre assinalado pela luz da ressurreição de Cristo, pela Sua passagem da paixão à Páscoa e à presença pascal na Eucaristia. Muitas vezes também a perspectiva pascal está relacionada com a fundamentação básica de que se utiliza Papczyński quando estimula a imitar o Cristo sofredor. Na meditação sobre o monte Tabor e a transfiguração de Cristo (cf. Mt 17: 1-8), observa que aos Apóstolos “foi revelada uma boa parte da glória celestial para que, tendo-a experimentado, estivessem prontos para todas as adversidades e não temessem sofrer por Ele a própria morte, para que a desejassem e, por essa razão tendo-se tornado partícipes dos desprezos e tormentos, alcançassem também a honra e a eterna alegria”. E, referindo-se ao leitor, conclui: “Dessa mesma forma o bondosíssimo Senhor, com mais frequência do que seria conveniente, na santíssima Eucaristia concede à tua alma a Sua glória e a consola com admiráveis consolos apenas para que, estimulado pelo gosto das alegrias imortais, dos prazeres, das honras e dos bens, suportes com alegria e de bom grado quaisquer desprezos, injustiças, desgraças e o leve jugo da vida religiosa, e para que saibas que através dos mais pesados trabalhos deves alcançar a mais doce paz, através das dores e das maiores opressões – o descanso, através da luta e da morte – à vida”63. Esse mesmo horizonte da nova e da eterna vida no Pai, que o Fundador dos marianos percebe “na luta e na morte” de Cristo, define a perspectiva das aspirações do Seu segui61 IC, p. 903. Cf. A. PAKUŁA MIC. Idea doskonałości zakonnej…, op. cit., p. 31. 62 IC, p. 892. 63 Ibidem, p. 668-669.
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