A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

102 ma Trindade, amado Filho do Pai, Deus Encarnado, nascido de Maria Virgem e verdadeiro Messias, Filho do Deus vivo34. Jesus Cristo é o “verdadeiro Deus e Homem”, ao qual é dado todo o poder no céu e na terra; segundo a Divindade (“secundum Divinitatem”), Ele é desde os séculos igual ao Pai, sendo igual também quanto ao poder (“potentia”), que de ninguém recebeu, mas sempre possuiu “por si mesmo”. Papczyński percebe um relacionamento especial com o Pai, que se expressa igualmente no fato de que “tem tudo em comum com o Pai”, em muitas passagens do Novo Testamento que descrevem os comportamentos de Cristo, mas geralmente alude à postura de obediência em tudo e no cumprimento da Sua vontade. Uma expressão de verdadeira filiação, na opinião do Fundador dos marianos, é o fato de Cristo conhecer a vontade do Pai e cumpri-la, algumas vezes numa grande luta com as adversidades, o que se torna especialmente visível nos momentos de provação: durante a luta com o demônio no deserto, quando este “astutamente assedia o Cristo-Homem”, e nos momentos que precederam a paixão, durante a oração no Horto, quando decide cumprir até o fim a vontade do Pai35. Na fidelidade à vontade do Pai e na edificação de um relacionamento humano de Cristo com o Pai, não deixa de ser significativa também a ação especial do Espírito Santo, que, sempre unido com Cristo, revelava essa vontade, conduzindo-O e guiando-O no seu cumprimento36. Cristo, todo poderoso Deus-Homem, é o Redentor do homem, “em tudo igual ao Pai”, que “quis assumir a natureza humana” a fim de “conduzir o homem rebelde de volta à casa paterna, para o livrar da prisão que [o] aguardava do eterno abismo ou do inferno”. A razão humana “não tem condições de compreender os tormentos, os suplícios e as dores do Deus-Homem” que assumiu para si o Redentor “para a satisfação pelos inúmeros pecados” cometidos pelo homem. Como “incompreensível (“incomprehensibilis”), foi encerrado no seio da Virgem”; como “impassível” (“impassibilis”), durante toda a Sua vida sofreu diversas perseguições, aflições, insucessos [...]; quando pregava, teve de suportar as línguas dos ímpios, proteger-se das pedras, experimentar as tentações do inferno, e em troca do bem recebia o que havia de pior [...]; para a satisfação pelos inúmeros pecados, sofreu intermináveis tormentos”37. Esse “misericordiosíssimo salvador” (“Servator”, mas também “Salvator”), que por grande amor 34 IC, p. 607-608, 617, 736-738, 842-843, 878-879 e outras. O beato Estanislau Papczyński, e depois dele também as outras fontes marianas da primitiva tradição, dedicam bem menos espaço ao relacionamento de Cristo com o Espirito Santo em relação a descrições dos Seus relacionamentos com o Pai. Basicamente, o Espírito Santo é abordado na função daquele que anima o vínculo do Pai com o Filho, concede-lhe dinamismo e dirige a vida de Cristo, conferindo-lhe a marca da submissão e do amor filial. 35 IC, p. 661-662, 1034-1035. Cf. A. PAKUŁA MIC. Idea doskonałości zakonnej... , op. cit., 29. 36 IC, p. 660, 694. 37 Ibidem, p. 644, 982-983.

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