103 ao homem sofreu “cruéis e inauditos suplícios”, morreu e ressuscitou e enviou o Espírito Santo – “Mestre da Verdade e Espírito de toda sabedoria, [... ] para que fosse construído o único Corpo da Igreja de Deus”38. Por ter realizado a obra da salvação, como observa Papczyński, Cristo se tornou o “Senhor da morte” e o “Senhor da vida”, que tem o poder de “fazer renascer ou morrer, salvar e condenar”, mas ao mesmo tempo “quer que ninguém pereça”. Diante d’Ele, como diante de um “verdadeiro Juiz”, não “diante de juízes míticos e inventados [...], teremos de nos apresentar [...] para prestar contas de todos os nossos pensamentos, palavras e ações”39. Como ao Homem, continua Papczyński o seu pensamento, “foi lhe dado o poder no céu para que – tendo entrado nele primeiro – o abrisse aos crentes, justos e santos e fechasse aos descrentes, injustos e condenados. Foi-Lhe dado o poder na terra para que abolisse qualquer culto das criaturas, para que destruísse a idolatria, para que atraísse à verdadeira fé os pagãos, tanto pessoalmente como pelos Seus discípulos, para que fundasse a Igreja e, finalmente, para que em toda a parte reinasse nas mentes, nas almas e nos corações dos homens”40. Tendo realizado a obra da redenção das criaturas, que criou no início dos tempos, tornou-se “Senhor de todo o mundo e do céu”. Através da Sua vida e da obra da salvação realizada, que foi descrita nas páginas do Evangelho, Cristo tornou-se para o homem “o Caminho, a Verdade e a Vida”41. Lembrando muitas vezes, com S. João Evangelista, essas expressões do Novo Testamento, o Fundador dos marianos muitas vezes as personifica em seus escritos, conferindo dessa forma ao relacionamento do religioso com a Palavra Divina um caráter mais pessoal. 38 Ibidem, p. 998. 39 Ibidem, p. 613, 737. A ideia do julgamento divino está presente também em outros escritos religiosos do beato Estanislau, embora seja mais visível e até enfatizada pelo Fundador em seu Testamento, escrito provavelmente no ano da morte. Ali, de forma como que solene e com a ameaça de “terrível castigo divino”, por duas vezes obriga o frei Joaquim Kozłowski, seu sucessor no cargo de superior geral, a cuidar da observância da regra religiosa e − pela segunda vez – a “nada mudar no hábito, no nome da Ordem nem ousar impiamente destruir a honra da Santíssima Virgem Maria”. Cf. bł. S. PAPCZYŃSKI. Testamentum alterum. p 1497, 1499. 40 IC, p. 736. 41 Vale a pena apresentar aqui uma das meditações de Papczyński, onde ele submete a uma reflexão as palavras de Cristo em que Ele fala que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14: 6): “Com razão o Senhor se chama caminho, porque, querendo conduzir todo o gênero humano à glória imortal, desceu do céu à terra para não apenas nos indicar o caminho a ele, mas ainda para o aplainar e tornar seguro, assinalado por tantos sacramentos e escavado por tantos vestígios das Suas virtudes. Mas por que junta estas três coisas: o caminho, a verdade e a vida? Porque deseja ensinar-te que, se queres ter a vida, deves buscar a verdade; e, se queres encontrar a verdade, deves proceder pelo caminho do Senhor. Por isso te diz: ‘Segue-me’ [p. ex. Mt 8: 22; Mc 2: 14]; ‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida’. Sem o caminho não se anda; sem a verdade não se conhece; sem a vida não se vive. Eu sou o caminho que deves trilhar; a verdade em que deves acreditar; a vida que deves esperar. Eu sou o caminho seguro, a verdade infalível, a vida sem fim; Eu sou o caminho mais reto, a verdade suprema, a vida verdadeira, a vida feliz, a vida incriada. Se não te afastares do caminho, conhecerás a verdade, e a verdade te libertará e alcançarás a vida eterna”. IC, p. 856.
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