86 permaneceu nela apenas um camponês”139. Essa mesma comissão informava, além disso, que “por treze dias permaneceu no convento o exército polonês. No dia 13 de maio de 1812 os soldados da Vestfália provocaram um prejuízo de 630 zlótis. Por alguns dias descansaram ali os soldados de Liechtenstein, levando coisas na importância de 1.483 zlótis. Por sua vez no dia 15 de outubro de 1812 os cossacos russos roubaram do convento móveis e outras coisas. Na continuação do relatório, a comissão constata que “no convento foi saqueado tudo que era útil ou comestível, roubado pelos soldados que passavam por Skórzec”140. Os conventos em Mariampol e Mirosław foram preservados dos saques, visto que em Mariampol se deteve o imperador Napoleão I141; no entanto esses conventos eram os mais pobres quanto à posse de propriedades rurais, porquanto naquele período não pertenciam ao Ducado os conventos da província russa. Em 1809, o convento em Raśna encontrou-se a uma distância de apenas alguns quilômetros da fronteira do Ducado. Em 1812 os exércitos franceses que marchavam em direção à Rússia transpuseram a fronteira, em consequência do que o convento podia contatar-se com as casas dos marianos no Ducado de Varsóvia. Quanto na Rússia ocorreu certo apaziguamento em relação ao Ducado de Varsóvia, as ordens religiosas podiam desenvolver-se com um pouco mais de liberdade no início do século XIX. Igualmente em Raśna, em 1810, foram ordenados dois seminaristas marianos. Apesar da falta de uma equipe adequada para a formação da juventude, funcionava o noviciado e o curso filosófico-teológico142. Para esse desenvolvimento da situação contribuiu a postura do tzar Alexandre I, que no período dos conflitos com Napoleão se esforçou por se utilizar da “questão polonesa”, apelando aos sentimentos dos poloneses e tratando-os com mais benevolência143. O convento e os seus moradores sofreram prejuízos somente nos anos 1812/1813, quando – na opinião do superior – “os súditos 139 AZakS, Consignação de todos os prejuízos causados por diversos exércitos ao convento em Skórzec. Skórzec, 19/12/1814. 140 Ibidem. 141 Napoleon et la Lituanie em 1812, par Bronius Dundlis, Paris, 1940, 251. 142 ABUV, Doc.Viln., I. Em 1810, em Raśna foram ordenados Filipe Mieliński e Joaquim Bartoszkiewicz. Em 1811 havia dois noviços: Caetano Bielawski e Antônio Markiewicz. Em 1813, por sua vez, havia três deles. 143 Nos anos 1810-1812 tornou-se atual a “causa polonesa”. O duque Adão Czartoryski e o tzar Alexandre I estavam examinando a possibilidade de preparar uma intervenção comum contra os exércitos franceses. Existiam também outros grupos de poloneses “filorrussos” que conspiravam contra os franceses; perdurava, no entanto, a fascinação com Napoleão, e por isso esses políticos davam-se conta de que o povo não se uniria aos russos contra os franceses. Inúteis mostraram ser também alguns gestos da parte de Alexandre I. Kukiel, Dzieje..., 136-142; Correspondance du Prince Joseph Poniatowski avec la France, II, Poznań, 1923. Numa carta de 14/11/1809 Poniatowski informa a Napoleão que os russos estão procurando granjear a simpatia dos poloneses e que estão elaborando planos para a reconstrução da Polônia com base na potência russa; 161-164.
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