Os Marianos Nos Anos 1787-1864

71 ao aspecto confessional, romano-católico, como em relação ao aspecto nacional – os 230 conventos masculinos com três mil religiosos e os 50 conventos femininos contando setecentas e trinta irmãs, que se encontravam naquelas províncias. Existiam também grupos de religiosos lituanos, concentrados na parte setentrional da Prússia Neo-Oriental80. Os religiosos que ensinavam em escolas, pregavam missões populares ou exerciam o ministério pastoral em meio às numerosas irmandades desempenhavam um papel significativo na preservação da consciência nacional entre os poloneses. As ordens religiosas eram um baluarte do espírito nacional polonês, opondo-se à germanização promovida pelo governo prussiano. A restrição do papel e da atividade das ordens religiosas realizava-se aos poucos, mas no momento adequado havia o propósito de extingui-las. Primeiramente se planejava realizar o confisco dos bens materiais do clero religioso e diocesano. Logo após as partilhas, foram expedidos alguns decretos restritivos diante das comunidades religiosas81. Uma das disposições obrigava os superiores a fazer um juramento de fidelidade ao rei. O religioso tinha de jurar que oficialmente e “privadamente, no confessionário, vai incutir nos paroquianos a fidelidade ao rei e à sua casa, dando ele mesmo o exemplo a esse respeito”. E, se não cumprisse essa promessa, não alcançaria o perdão nesta vida nem na futura82. A solenidade do juramento, da qual participavam representantes de todas as classes sociais na Prússia Oriental, realizou-se no dia 6 de julho de 1796 em Gumbin. Em nome dos religiosos marianos, fez o juramento o Pe. Vítor Wołągiewicz, desde 1779 superior da casa religiosa em Mariampol83. A atividade administrativo-legal da ordem era dificultada por uma lei de 1794, que proibia viajar para o exterior sem a permissão das autoridades. Proibia também a religiosos de outros países viajar à Prússia84. Em razão dessa lei, o superior geral da ordem, residente numa província subordinada à Áustria, não podia visitar os conventos na zona de ocupação prussiana nem convocar delegados da Prússia para o capítulo geral, não podia também enviar à Prússia os seus representantes, visto que a obtenção da licença do governo prussiano para tais 80 Bieńkowski, L’Illuminismo..., 312. Na diocese de Wigry, especialmente na parte setentrional, residia um grande número de lituanos. Em 1860 eles eram 213.000, quando a diocese contava um total de 625.000 almas. Cf. Jemielity, Diecezja augustowska czyli sejneńska... 81 E. Piszcz, Polityka kasacyjna władz pruskich wobec klasztorów diecezji chełmińskiej. Studia Peplińskie, 1971, 94-99; O autor analisa os mais importantes decretos expedidos pelo governo prussiano contra os religiosos, 94-99; Berth, Altaner, Preussen und die katholische Kirche von 1740 bis 1861, Paderborn, 1926, 12, 13, 14. 82 Kumor, Obertyński, Historia..., II;1, 143. 83 AGM, Prot.Skórc., ff. 111-112; Totoraitis, Marianie..., 28. 84 Lehman, Preussen, VIII, 49-51, 52-53, 59-61; J. Wąsicki, Ziemie polskie pod zaborem pruskim. Prusy Południowe 1793-1806, Wrocław, 1957, 85.

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