97 discreta a sua intuição do carisma apostólico da ordem, apontando-lhes que, quando houvesse tal necessidade, eles não deviam evitar o trabalho apostólico. Na introdução a Norma vitae dirigiu aos irmãos palavras de estímulo: “Além disso, embora esta Congregação tenha sido instituída no apresentado estado eremítico, ela não se atém à solidão a tal ponto que não considere como meritório para si ocupar-se por vezes de favores espirituais em prol dos semelhantes, na medida em que isso seja adequado, sem prejuízo alheio”148. No capítulo sobre o objetivo da congregação o estímulo à prática do apostolado é mais explícito ainda, ainda que formulado com bastante cuidado: “No entanto, não será proibido àqueles que sejam dotados desse tipo de aptidões ajudar humildemente aos párocos nos trabalhos da igreja, se alguma vez, com a prévia autorização dos ordinários e dos superiores, forem por eles convocados, visto que não nos é conveniente uma vida contemplativa tão severa, ainda que tenhamos sido fundados em estado de eremitas”149. Consciente de que do ponto de vista legal os marianos continuavam sendo eremitas, dá-se conta de que uma conclamação demasiado corajosa ao apostolado poderia contribuir para os intensificados ataques dos adversários. Esse texto surgiu após as difíceis e dolorosas experiências das murmurações e das disputas relacionadas com princípios: apostolado ou contemplação. Achavam alguns que o eremitismo era a forma mais perfeita de praticar os conselhos evangélicos, outros, que seria a atividade apostólica. Papczyński muitas vezes enfatizava, como lemos principalmente em Olhar para o fundo do coração, que o que importa é sobretudo o amor a Deus e ao semelhante: “[Deus] costuma proporcionar a mesma visão beatífica aos eremitas que se dedicam à meditação e aos operários ocupados em Sua vinha”, e a seguir: “Por isso fica sabendo que são santos não somente aqueles que se entregam à solidão e têm em conta somente a sua salvação, mas também aqueles que, levando uma vida ativa, apostólica, colaboram com Cristo na salvação das almas”150. Percebe-se quanta solicitude envidava o Padre Papczyński para estimular e animar os marianos que por piedade ou por conforto aceitavam o estado eremítico e com dificuldade e com resistência empreendiam as tarefas apostólicas. Lembrava que todos na Igreja são responsáveis pela proclamação da doutrina evangélica, porque, se fal148 S. Papczyński, Reguła życia. Przedmowa informacyjna, 3, in: Pisma zebrane, p. 44. 149 Idem, Reguła życia, I, 3, in: Pisma zebrane, p. 47. 150 Idem, Inspectio cordis, in: Boska dobroć i miłosierdzie, Warszawa 2002, pp. 42, 43, 46; cf. Pisma zebrane, p. 907.
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