Os Marianos 1670-1788

62 membros no convento mudava como num caleidoscópio e dependia do estado das edificações. Em 1760 provavelmente não residia no Cenáculo nenhum mariano, visto que naquele mesmo ano o capítulo geral obrigou o superior geral a indicar um mariano que fosse o guardião das relíquias do Padre Estanislau e o confessor das irmãs dominicanas35. Havia anos em que no Cenáculo permanecia somente um religioso, mas, após as reformas promovidas, o seu número aumentou significativamente e várias vezes, embora por breves períodos de tempo, eles até eram mais que dez. Em 1776 o convento contava doze religiosos, e os inspetores afirmaram que se encontrava em grande pobreza e que “o sustento dos mencionados padres é garantido unicamente pela Providência Divina, ex pura eleemosyna e dos serviços nas igrejas paroquiais. Atestaram por isso que o convento é incapaz de pagar os impostos”36. O maior número de religiosos – dezesseis marianos: padres, seminaristas e irmãos – residiu no Cenáculo em 1782. Em 1795, após a terceira partilha da Polônia, Góra permaneceu na zona de ocupação prus- siana. A política desfavorável desse governo contribuiu para a queda do santuário passional em Nova Jerusalém e para a piora da situação das comunidades religiosas locais, inclusive a dos marianos37. No século XIX, em razão de mudanças políticas, a situação do convento, tanto material como pastoral, tornou-se simplesmente lamentável. Um relatório oficial de 1818 apresenta o estado catastrófico daquele núcleo: “A igreja e o convento de muro prussiano, tudo coberto de tabuinhas, em estado que ameaça de desmoronamento. Os religiosos são três, dois sacerdotes e um irmão. A utilidade do convento restringe-se apenas ao cumprimento das obrigações do convento e, ocasionalmente, das paroquiais”38. Não vendo possibilidades reais de solucionar a difícil situação dos recursos humanos e econômica, a partir de 1822 os marianos de Góra tendiam a abandonar o Cenáculo e a aceitar um outro núcleo. No entanto a postura do então superior geral, Pe. Tadeu Białowieski, devoto do Servo de Deus Padre Papczyński e defensor 35 Cap. Gen., 1760/11. O decreto diz o seguinte: „Recommendatur A. R. Patri Praeposito Generali, ut aliquis Pater qualificatus maneat Górae propter custodiam corporis Venerabilis Patris Institutoris, tum ut idem sit confessarius monialium”. 36 Dokumenty mariańskie, pp. 105-106; cf. ASV, Arch. Nunt. Varsaviae, vol. 120, fol. 32. Synopsis Domorum ac Religiosorum Ordinis Marianorum, die 19 Decembris 1773. 37 Na realidade a ocupação prussiana durou somente até 1807, porquanto nos anos 18071815 surgiu o Ducado de Varsóvia, subordinado ao Império Francês e ao Imperador Napoleão Bonaparte e deles dependente. 38 Ibidem, p. 108.

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