Os Marianos 1670-1788

44 Chegando a Puszcza, o Bispo Święcicki abençoou o eremitério e aprovou o Instituto dos Marianos77, no entanto reconheceu que era preciso afastar do eremitério o Krajewski juntamente com os eremitas. A pedido do Padre Papczyński decidiu deixá-los ali, mas submetendo-os a uma provação78. Com esse objetivo ordenou que os eremitas observassem a Regra de vida, redigida pelo Padre Estanislau para os futuros marianos, bem como assinalou certas normas especificadas nas disposições e definidas pelos estatutos, a cuja observância eles deviam obrigar-se sob juramento. As disposições do bispo eram extremamente severas. Impunham o jejum estrito nas quartas e nas sextas-feiras, o silêncio rigoroso nas segundas, nas quartas, nas sextas e nos sábados, a flagelação em público todos os dias, a proibição de sair fora da clausura79. A regra instituída pelo bispo para a congregação que surgia dava ênfase a uma penitência muito rigorosa e obrigava os eremitas à prática de incessantes retiros. A reação deles era previsível. Não acostumados a uma rigorosa disciplina eremítico-penitencial, “ficaram estupefatos e, não tendo aceitado essas regras, afastaram-se do eremitério”80. Permaneceu somente o Krajewski, mas revoltava-se, não observava as normas prescritas e “vivia como queria”, acusando o Padre Papczyński diante do bispo de excessiva severidade. E no final de 1675, à noite, transgredindo todas as regras e obrigações, fugiu às escondidas do eremitério de Puszcza Korabiewska81. As severas ordens impostas pelo bispo visitador não estavam também inteiramente de acordo com os planos do Padre Papczyński e com a sua visão da Sociedade da Imaculada, que – como declarava – tinha claramente esboçada em sua alma. O seu propósito inicial era organizar a vida dos eremitas de acordo com a sua própria concepção da vida religiosa. No entanto, após a visitação era preciso começar pela regra imposta, direcionada para a vida eremítica, contemplativa, que excluía inteiramente o apostolado ativo. Em razão disso o Padre Estanislau teve que adaptar as suas normas, recomendações e a Regra de vida às disposições expedidas durante a visitação do Bispo Święcicki. Sendo, no entanto, uma pessoa de profunda fé, confiava que em tempo oportuno Deus enviaria a melhor solução, ainda que lares. Em 1677 foi transferido para a diocese de Chełm. Zeloso pastor de almas. Cf. Piotr Nitecki, Biskupi Kościoła w Polsce (966-1999). Słownik biograficzny, Warszawa 2000, p. 440. 77 Navikevicius, pp. 166-168. 78 Positio, Papczyński, pp. 339-345. Além de Krajewski, havia no eremitério outros três eremitas. Cf. APS 10 f. 148. Depoimento do Pe. Cipriano Fijałkowski. 79 Ibidem. Protocolo pós-visitação de 24.10.1673. 80 S. Papczyński, Założenie Domu Skupienia, 21, Pisma zebrane, p. 1466. 81 Positio, Papczyński, n. 371, nota 7.

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