Os Marianos 1670-1788

40 de ascese destinado sobretudo às pessoas leigas, e Regra de vida, que era a regra religiosa para os futuros marianos65. A permanência em Lubocz foi para o Padre Papczyński um tempo difícil, porquanto a notícia dos seus empenhos como fundador lhe proporcionava muitos adversários. Eram lançadas contra ele falsas acusações, escreviam-se pasquins, inventavam-se calúnias. “Havia também aqueles – confessava – que olhavam para mim como para um louco, e alguns até me perseguiam, visto que esse início necessariamente devia basear-se no sofrimento66. Os ataques e a falsa interpretação do seu afastamento dos escolápios estimularam-no, “para retirar alguns do erro”, a escrever a Apologia, na qual esclarecia as verdadeiras causas da sua decisão e as circunstâncias do seu afastamento da ordem67. Apesar de todas essas dificuldades e desses obstáculos, o Padre Papczyński não se afastava do seu propósito de fundar a Sociedade da Imaculada Conceição, acreditando firmemente que sobre todo o empreendimento velava a Providência Divina e que esse ideal havia sido moldado em sua mente pelo Espírito Santo, razão por que procedia da inspiração divina. E, embora contasse naquele tempo também com muito apoio da parte de pessoas benevolentes, que “louvavam o propósito e desejavam o feliz sucesso”, e entre elas estava o núncio apostólico, certo bispo e conhecidos religiosos, os problemas se multiplicavam, ele não encontrava um lugar adequado onde pudesse residir com os companheiros e faltavam também companheiros experientes que quisessem assumir juntamente com ele aquela obra. Na realidade o Padre Papczyński reconheceu que se apresentavam candidatos, tanto leigos como religiosos, mas “em razão da virtude não testada e da falta de lugar”, não os aliou a si68. Um obstáculo era também a falta da aprovação eclesiástica, visto que o Bispo Wierzbowski, como foi mencionado, fazia depender a sua aceitação do consentimento da Santa Sé. Naquele tempo o Pe. Francisco Wilga, superior da ordem dos camáldulos, sugeriu-lhe a ideia de que, enquanto esperava a aprovação diocesana, seguisse o exemplo de outros santos fundadores e, tendo um lugar adequado, reunisse em sua volta alguns candidatos que juntamente com 65 Norma vitae, Varsaviae 1687. Essa foi a primeira versão impressa de Norma vitae (Regra de vida). 66 S. Papczyński, Założenie Domu Skupienia, 8, in: Pisma zebrane, p. 1460. 67 Apologia wystąpienia z Zakonu Szkół Pobożnych (escrita por volta de 1671), in: Pisma zebrane, pp. 1427-1453. 68 S. Papczyński, Założenie Domu Skupienia, 9, in: Pisma zebrane, p. 1460 n. 9; cf. Positio, Papczyński, p. 333.

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