Os Marianos 1670-1788

374 mais, porque sempre nos trataram como se não valêssemos nada. [...] Nos últimos dias novamente tive uma audiência com o Papa e Lhe apresentei dois memoriais”108. Um deles se relacionava com a concessão de indulgências aos missionários marianos. O Padre Gołkowski pedia: “Os padres marianos, que têm na Polônia o costume de pregar missões onde são convidados, humildemente pedem a Vossa Santidade a concessão de indulgências aos fiéis que participarem dessas missões”109. O Santo Padre concedeu as indulgências “ad perpetuam”110. O apoio proporcionado por ele aos marianos não resultou, entretanto, nem na construção da prometida escola, nem na ajuda financeira ou nos privilégios, visto que se apresentou como obstáculo o fermento revolucionário que a partir da França atingiu o Estado da Igreja e envolveu também, infelizmente, as massas do clero. Informava a respeito disso ao Padre Gołkowski o protetor mariano cardeal de York111. Um outro obstáculo eram também os conflitos entre os marianos de origem polonesa e italiana, sendo que estes lançavam contra aqueles diversas calúnias. O Padre Gołkowski trabalhou zelosamente pela Igreja e pela ordem dos marianos, mas sofria muito com o clima de Roma, com todos os conflitos e dificuldades, desde a sua chegada a Roma teve problemas de saúde, e o seu estado de saúde piorava incessantemente. Numa carta do dia 6 de agosto de 1785 escreveu ao superior geral que estava sofrendo enormemente, que os médicos se mostravam impotentes e que a única salvação para ele seria a mudança de clima e de ambiente, isto é, afastar-se de Roma. Nessa carta apresentou com humildade os assuntos resolvidos e os sucessos alcançados. “Peço que me perdoe por me afastar de Roma, mas nada me incomoda tanto como esta contínua doença. Sei que também na Polônia não estão à minha espera as delícias do paraíso, mas sim o purgatório. Eu gostaria de voltar [à Polônia] ainda antes do inverno, se a doença ou a 108 Ibidem, carta de Norberto Gołkowski ao superior geral de 6.8.1785. Para os memoriais apresentados ao papa ele recebeu uma resposta positiva. Num deles pedia ao Santo Padre a concessão de Missas com intenções à igreja de S. Vito, “porque não as temos”. Obteve uma concessão por três anos das monjas de S. Pedro e S. Marcelino, “embora as monjas muito se opusessem, mas nada podiam fazer”. O segundo memorial era um pedido de especiais e amplas indulgências para os marianos que pregavam missões na Polônia. 109 ASV, Sec. Brev., Indulg. Perp., vol. 81, ff. 388-389. 110 Ibidem. “Iisdemque Christi fidelibus, qui sacris missionibus a praesentis Fratribus (mariani) peragendis plerumque interfuerint si vere paenitentes, et confessi ac S. Communione refeci pro Sancte Matris Ecclesiae exaltatione, Principium Christianorum unione, infidelium conversione, et haeresum extirpatione, prout unicuique suggeret devotio pias ad Deum preces effuderint, plenariam una vice durante tempore uniuscuiucque concedimus.” 111 Prot. Rom., carta de Norberto Gołkowski ao superior geral de 25.2.1786.

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