Os Marianos 1670-1788

347 Os marianos em Roma A busca de um lugar “Todos os caminhos conduzem a Roma”, proclama um antigo provérbio romano. Efetivamente, foi justamente nessa cidade que por longos séculos se concentrou a vida de toda a Igreja católica. Era lá que funcionavam todas as mais importantes repartições da Santa Sé e que eram resolvidos os diversos assuntos relacionados com a atividade e o funcionamento das ordens religiosas. Era lá que pulsava o coração da Igreja. Por isso todas as ordens religiosas ou congregações procuravam ter em Roma a sua principal casa geral, a sua própria igreja ou ao menos a sua procuradoria, para não fazer uso dos serviços de mediadores ou procuradores contratados, porquanto as suas ações, em geral dispendiosas, nem sempre eram eficazes, e os efeitos das missões a eles confiadas muitas vezes produziam exíguos resultados. Assim escreveu a esse respeito o Padre Papczyński, que havia passado por essa experiência: “Buscando formas para iniciar a Sociedade da Imaculada Conceição [a aprovação da Santa Sé], por dois anos incessantemente me empenhei, e essa causa me custou muito trabalho e me ocasionou certas despesas. Mas [...] o procurador – ardiloso e desleal – me alimentou com promessas, sem nem sequer se dar ao trabalho de resolver o assunto”1. Numa situação em que a ordem não possuía em Roma nenhum posto, em questões importantes optava por enviar à Santa Sé os seus representantes, mas naqueles tempos cada expedição dessas implicava grandes despesas, a dedicação de muitos meses para chegar ao lugar, a exposição a diversos perigos na viagem e um sério esforço físico e psíquico. Vivenciou isso o Padre Papczyński, que realizou tal viagem duas vezes, em grande parte realizando-a a pé, passando por diversas dificuldades e humilhações. Viajou pela primeira vez a Roma em 1667 como escolápio, acusado então de semear a confusão na ordem, e pela segunda vez em 1691, já como mariano, buscando obter a aprovação pontifícia para a jovem ordem dos marianos. Na primeira vez proporcionaram-lhe hospita1 S. Papczyński, Założenie Domu Skupienia, 9. 10, in: Pisma Zebrane, pp. 1460-1461.

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