Os Marianos 1670-1788

320 a aceitar os aspirantes à congregação e a admiti-los à profissão religiosa, o que os membros da comunidade anteriormente haviam solicitado. O documento definia também as condições da comunidade, os seus privilégios e as suas tarefas283. Com base no documento recebido, e preocupado com a vida espiritual dos terciários, o Padre Wyszyński iniciou a formação deles preparando-os para a recepção do hábito mariano, e a seguir para a vida no noviciado e numa autêntica comunidade mariana. Após seis meses de formação, no dia 13 de abril de 1755, realizou-se a solenidade da vestidura do hábito mariano de cinco portugueses, inclusive de um seminarista de ordens menores que depois, ordenado sacerdote, por muitos anos exerceu o cargo de superior em Balsamão284. Do Diário ficamos sabendo que a solenidade se realizou numa atmosfera grandiosa e solene. Participaram dela muitas distintas personalidades, tanto religiosas como leigas. A pessoa do Padre Casimiro fascinava pela santidade, pela simplicidade e pelo zelo apostólico. Esse foi para ele um dia de extraordinária alegria. Ele acreditava que devia aquele favorável desenrolar dos acontecimentos à Mãe Santíssima e à intercessão do Padre Papczyński, ao qual incessantemente recomendava a missão portuguesa. Ao convento em Balsamão apresentavam-se novos candidatos, o que augurava um favorável desenvolvimento do ramo português dos marianos. Entretanto o eventual sucesso da comunidade portuguesa não retirava ao Padre Casimiro a solicitude pelo seu futuro e pelo seu vínculo com a comunidade matriz na Polônia, e por isso nas suas cartas à Polônia ele pedia a oração e o apoio em forma de recursos humanos: “Visto que eu já tenho a minha idade [...], peço que algum dos jovens, homem de boas qualidades, se venha juntar a mim [...], para que possa ser preservada a unidade da nossa Congregação”285. O interesse pela ordem dos marianos era cada vez maior, e o Padre Casimiro informava o superior que esperava em breve abrir um convento na Espanha, e no futuro enviar alguns coirmãos ao Brasil, que na época era colônia de Portugal286. Ao superior geral Caetano Wetycki escreveu: “Muitas pessoas dignas olham para mim com respeito. [...] Nada me 283 Prot. Bals., pp. 17-18; Vargas, Memória, pp. 36-37. 284 Positio, Wyszyński, p. 248; Vargas, Memória, p. 37; cf. Prot Bals., p. 21. Wyszyński fornece uma outra data da vestidura: “No dia 23 de abril de 1755, por volta das 11 horas, admiti na nossa Congregação os Irmãos abaixo mencionados e os vesti com o hábito da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, a saber [menciona 4 irmãos] e o irmão Emanuel de Jesus Maria José, seminarista de ordens menores, que com esse objetivo se assinaram”. 285 Wyszyński, Diariusz, p. 416. 286 Ibidem, pp. 415-416.

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