Os Marianos 1670-1788

257 tre eles zelosos religiosos, ascetas, intelectuais, teólogos que amavam a ordem e repletos de generosidade. Sirva de exemplo a postura de Alexandre Mraas, que durante o incêndio da igreja e do convento em Goźlin no dia 16 de maio de 1769 foi queimado vivo, salvando devotadamente os paramentos litúrgicos, os documentos e os livros religiosos. O capítulo geral de 25 de julho de 1775 enfatizou a sua heroica dedicação pelo bem da ordem16. É preciso mencionar que até o incêndio – juntamente com os seminaristas – residiam ali diversos outros marianos. O mais conhecido na ordem e na Polônia, e o mais benemérito para a ordem foi o Pe. Benedito Hoenig, apreciado por muitos magnatas, bispos, e também pelo próprio rei Estanislau Augusto Poniatowski. Ele nasceu em 1719 na localidade checa de Swiatlo. Iniciou os estudos na universidade de Praga, mas não sabemos com que resultado nem se os concluiu, pois com a idade de vinte e um anos, em 1740, ingressou no noviciado dos marianos em Puszcza Korabiewska. Visto que para a ordem dos marianos ele foi um padre benemérito em muitas áreas, convém apresentar aqui a sua biografia, que foi escrita pelo então secretário da ordem Pe. Carlos Hondlewski, que conheceu pessoalmente o Padre Benedito: “Ele concluiu irrepreensivelmente o noviciado no convento de Korabiew, progredindo no caminho da perfeição de virtude em virtude. Tornase difícil dizer com quanto entusiasmo, engajamento e apuro de espírito se dedicou aos estudos dia e noite. Os superiores e os professores viam nele um brilhante futuro. Ninguém o via nunca perdendo o tempo em vãs conversas, em fúteis tarefas e brincadeiras [...]. A esse zelo se adicionava ainda o exercício nas virtudes ou, exatamente, na disciplina religiosa. Após a conclusão dos estudos, percebendo nele uma especial nobreza no procedimento, aptidão para o estudo e a ciência, os superiores o nomearam leitor de teologia moral para os seminaristas marianos. Ele tinha a preocupação de fazer com que os seus alunos se transformassem em pessoas educadas, úteis à ordem e à pátria. Aqueles a quem instruía ele também exercitava nos bons costumes, na nobreza, na bondade e na modéstia religiosa, que ele mesmo cultivava em grau muito elevado. Possuía uma cultura de vida, uma boa educação e preservava tudo isso num espírito de brandura e mansidão. [...] Atendendo ao convite do príncipe Miguel Czartoryski, grãochanceler da Lituânia, de que enviassem ao seu solar alguma pessoa dis16 Album Mortuorum, 16.5.1769 r.; Decreto em memória da sua morte. Cf. Cap. Gen., 1775/4. „[...] post consumptum infortunato eventu in conflagratione Conventus Goslinensis, dignae memoriae per R. P. Mraaz S. T. L. et secretarium Ordinis.”

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