Os Marianos 1670-1788

196 Casimiro Wyszyński assumiu um lugar preeminente na história dos marianos no difícil período dos “tempos saxões”20. Tratava-se de uma figura carismática, eminente, do principal organizador da vida religiosa que promoveu a reforma interna na ordem dos marianos, que continuamente buscavam seu próprio caminho. Pessoa piedosa, operante, de excelentes conexões com famílias poderosas e influentes membros do clero. Perfeitamente se dava conta de que já não seria capaz de mudar os religiosos laicizados, da geração mais velha, que haviam cedido às degradantes influências da época saxã e que forçados voltaram das paróquias. A postura deles não oferecia uma atmosfera boa, fraterna. Por isso deu uma grande ênfase à formação da jovem geração, especialmente no noviciado e através dos estudos, e com toda a diligência se empenhou pela sua adequada educação. Na formação dos jovens marianos percebe-se a realização do programa que ele queria transmitir-lhes e que poderia ser resumido nas palavras: “A situação não é boa, mas não se escandalizem; o vosso ideal humano e modelo de procedimento seja o Padre Fundador, e a vossa Padroeira e Guia – a Santíssima Virgem Maria”. Pela sua postura de heroico amor e de fidelidade a Deus, bem como pelo exemplo da própria vida, contribuiu para a elevação do nível da vida espiritual dos marianos. A sua grande solicitude era a estabilização espiritual e o desenvolvimento da ordem dos marianos, a difusão do culto da Imaculada Conceição da SVM, o conhecimento da figura do Padre Fundador e os empenhos pela sua beatificação. Essas eram as prioridades que preencheram a sua vida. De todo coração e com toda a vontade buscou a formação dos jovens marianos para devotados religiosos de Maria e prudentes apóstolos na Igreja. Muitas vezes se defrontou com dificuldades e com a incompreensão no trabalho formativo. Perturbavam-no alguns coirmãos que haviam perdido muito do espírito religioso, especialmente o Padre Kozłowski, que tinha uma concepção de formação diferente, mais “liberal”. Por essa razão ele muitas vezes enviava o Padre Wyszyński ao trabalho paroquial, afastando-o das tarefas de mestre do noviciado21. 20 Tempos saxões (1697-1763) são os anos do reinado de dois reis da dinastia saxã, Augusto II e Augusto III. Esse foi um período de crise política na Polônia, dominada pelos exércitos saxões e russos, prenunciando a dissolução do país. 21 O Padre Wyszyński se queixava: „Após o término dos estudos [Kozłowski] me indicou para mestre dos noviços, mas perturbava na educação deles. Em vez de cuidar deles, eu era por ele afastado para trabalhos nas paróquias. Eu lhe demonstrei muita oposição nessas suas medidas inadequadas à ordem”. Wyszyński, Stróż, pp. 163-164.

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