Os Marianos 1670-1788

141 Vencidos, salvando-se da escravidão russa, na sua maioria transpuseram a fronteira turca. Uma parte deles emigrou para a Europa ocidental. Cerca de cinco mil foram enviados à Sibéria. A Polônia perdeu 30% do seu território e 35% dos seus habitantes. O pequeno Estado da Prússia, até havia pouco feudo polonês, ao assumir as ricas e mais desenvolvidas terras da Polônia setentrional, foi o que mais enriqueceu. A Polônia mutilada, apesar das reformas empreendidas, não tinha condições de se defender da avidez das potências vizinhas. Precursores do renascimento Apesar de uma tão grande queda do pensamento na Polônia, em meados do século XVIII, já no período saxão, surgem pessoas que têm consciência do mal existente e veem a necessidade de promover a obra da reforma. Na sociedade polonesa infiltram-se as novas tendências da época do Iluminismo. Essa tendência pressupunha a organização racional do Estado e da sociedade, o desenvolvimento econômico e a elevação do nível cultural. O Rei Estanislau Poniatowski, consciente de que a intervenção russo-prussiana impossibilitava a promoção das reformas políticas, buscava a abertura das mentes polonesas e a superação dos modelos entorpecidos de pensamento e procedimento. Com esse objetivo, em 1765 fundou o semanário sociopolítico Monitor. O seu primeiro redator foi o eminente jesuíta Francisco Bohomolec (1720-1784), apreciado pela defesa da cultura pátria e pela ação cultural312. Uma pessoa que desempenhou um papel especial na área da cultura e da educação foi o escolápio Estanislau Konarski (1700-1773), sábio e grande patriota, que propagou a obra do Padre Papczyński Prodromus Reginae Artium313 como manual para o ensino da retórica e das questões sociais. A sua maior realização foi a instituição em 1740 de uma escola elitista e moderna, chamada Collegium Nobilium314, na qual se educaram muitos eminentes patriotas. O Collegium tinha como tarefa a educação de uma jovem geração de poloneses com o sentimento 312 Stanisław Bednarski, Bohomolec Franciszek, in: PSB, t. 2. 313 Stanisław Konarski, Ustawy szkolne, [do latim] trad. Wanda Germain, Kraków 1925, pp. 306, 434, 435, 464. Konarski recomenda que “enquanto não houver um manual melhor para as aulas, tudo o que se refere aos princípios da retórica deve ser ensinado com base no Prodromus”, p. 306. 314 Jan Inocenty Buba, Collegium Nobilium, in: Adam Matoga [red.] Pijarzy w kulturze dawnej Polski, Kraków 1982, pp. 83-103. No programa do ensino restringiu-se o latim em favor da língua polonesa e das línguas modernas. Foram introduzidas aulas de geografia, história, ciências naturais, economia e ciências exatas.

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