140 de forma permanente na Polônia305. Esses privilégios serviam de pretexto para a ingerência em diversos assuntos poloneses, a respeito do que falava abertamente Nikita Panin, ministro das relações exteriores da Rússia: “A questão dos dissidentes não deve servir de pretexto para difundir na Polônia a nossa fé e as crenças protestantes, mas unicamente de alavanca com o objetivo de conquistarmos para nós, com a ajuda dos nossos companheiros de fé e protestantes, uma forte e amiga facção com o direito de participar de todos os assuntos poloneses”306. Os deputados foram obrigados a assinar essas leis e, como escreveu um cronista, “com a mão trêmula todos assinaram o documento”307. Após um decidido protesto de alguns representantes da facção católica, na noite de 13 para 14 de outubro de 1767 Repnin ordenou que fossem detidos e levados ao interior da Rússia, a Kaługa, alguns deputados que haviam protestado, entre os quais os bispos Caetano Soltyk e José A. Zaluski308. O Bispo Załuski era naquele tempo o presidente do tribunal do Processo de Beatificação de Poznań do Pe. Estanislau Papczyński. Por isso, por algum tempo teve que ser interrompido o processo de beatificação promovido pelos marianos309. Os acontecimentos acima, e especialmente a igualdade de direitos para as pessoas de outras religiões, levam a uma inesperada eclosão de resistência. No dia 29 de fevereiro de 1768, um grupo de nobres, “após fervorosas orações e deliberações”, na cidadezinha de Bar, na Podólia, estabeleceu uma confederação, apresentando-se em defesa da fé e da liberdade no país310. No documento da instituição chamaram-se “Confederação dos ortodoxos cristãos católicos romanos”. A Confederação de Bar deu início a uma guerra com a Rússia que durou quatro anos (1768-1772). A tragédia era completada pelo fato da participação no lado russo dos regimentos reais poloneses, porquanto o rei Estanislau Poniatowski, destronado pelos obstinados confederados, uniu-se à luta contra eles311. Os Estados limítrofes viam com olhar cobiçoso as grandes áreas da Polônia. Já no dia 17 de fevereiro de 1772, em consequência de negociações por trás dos bastidores, foi assinado o primeiro acordo de partilha entre a Rússia, a Prússia e a Áustria. Os confederados de Bar iam perdendo o espaço e o terreno sob os pés. 305 A. Zamoyski, Własną drogą, pp. 27-228. 306 P. Jasienica, Dzieje agonii, p. 311. 307 W. Czapliński, Zarys dziejów, p. 354. 308 Władysław Konopczyński, Dzieje Polski nowożytnej, t. II, Warszawa 1986, pp. 186-187. 309 T. Rogalewski, Stanisław Papczyński, pp. 356-357. 310 W. Konopczyński, Dzieje Polski, p. 189. 311 Ibidem, pp. 200-202.
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