Ad Honorem Immaculatae Conceptionis Mariae
86 cação e missão. Por isso, como testemunham as liturgias do Oriente e do Ocidente no rito da profissão monástica ou religiosa e na consagração das virgens, a Igreja invoca sobre as pessoas escolhidas o dom do Espírito San- to, e associa a sua oblação ao sacrif ício de Cristo. A profissão dos conselhos evangélicos é um desenvolvimento também da graça do sacramento da Confirmação , mas ultrapassa as exigências nor- mais da consagração crismal em virtude de um dom particular do Espírito, que predispõe para novas possibilidades e novos frutos de santidade e de apostolado, como demonstra a história da vida consagrada. REFLEXÃO A consagração religiosa é um tipo especial de relacionamento entre Deus e o ser humano. Temos imagens dessa consagração em muitas passa- gens da Bíblia Sagrada, como por exemplo, na presente conferência, a vo- cação de Jeremias. Na visão bíblica da consagração, surge em primeiro plano a iniciativa de Deus, que escolhe o ser humano como alguém d’Ele especialmente próximo e conhecido, que é escolhido pelo seu nome. Deus concede ao mesmo tempo todos os dons de que o escolhido necessita para cumprir a sua missão. A missão que o Senhor confia ao escolhido não é somente para ele mesmo, mas para o bem dos outros, em definitivo para a salvação dos outros. Somente depois surge a resposta, primeiramente assinalada pelo temor, pela fraqueza humana, por vezes até pela pecami- nosidade, e algumas vezes pela dificuldade na compreensão da lógica da escolha divina. A escolha manifesta a condição humana do escolhido, mas ao mesmo tempo o poder de Deus e o Seu amor, que só podem ser aceitos pela confiança em quem escolhe, ou seja, em Deus. Assim se molda o diá- logo que acompanha a pessoa consagrada por toda a vida. Em princípio, trata-se da incessante continuação daquele mesmo diálogo da escolha por Deus e da resposta do ser humano que ocorreu já no início do caminho do escolhido − do consagrado. É interessante que todas essas dimensões da consagração estão nitidamente presentes na vocação de fundador do nosso Pai Santo Esta- nislau. Mas, afinal, ele deve ter passado por um processo semelhante de discernimento e amadurecimento da consagração durante a sua primei- ra vocação, quando decidiu ingressar na Ordem dos Escolápios e quando primeiramente professou os votos religiosos e depois recebeu a ordenação sacerdotal. No entanto, Deus quis conduzi-lo mais uma vez pelo mesmo caminho do diálogo que inicia a consagração quando veio o tempo da se-
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