Ad Honorem Immaculatae Conceptionis Mariae

87 gunda vocação. Como se isso estivesse acontecendo pela primeira vez em sua vida. Será que isso era importante em razão dele mesmo, ou talvez Deus quisesse isso em razão de nós, seus filhos espirituais? A resposta nos é desconhecida, mas podemos analisar essa sua consagração mariana cujo coroamento foi a profissão do ato de entrega, por nós chamado Obla- tio e por nós traduzido em princípio como “entrega de si mesmo”. Mas a “entrega de si mesmo” não expressa todo o drama do termo Oblatio , que era a intenção do nosso Pai Fundador. Porquanto sabemos que ele era um perfeito conhecedor da língua latina, e ao mesmo tempo profes- sor de retórica, ou seja, mestre do uso dessa língua na arte de falar e de escrever. A Oblatio na linguagem religiosa, católica, e ao mesmo tempo na linguagem de um sacerdote-religioso, como era o fundador, refere-se ao sacrif ício eucarístico feito no altar. Por isso a “Oração das oferendas” tem o título latino “ Super Oblata ”, que é a oração sobre aquilo que foi primeiramente recebido de Deus como dom e depois oferecido a Deus como sacrif ício no altar (pão e vinho), de maneira que seja transformado, pela invocação do Espírito Santo e pela fórmula da consagração pronun- ciada pelo sacerdote, no Corpo e no Sangue de Cristo. Esse pão e vinho, oferecidos durante a Eucaristia, devem tornar-se o Corpo e o Sangue de Cristo, um sacrif ício agradável a Deus. Somente nesse contexto devemos ver o ato do nosso Pai, Santo Estanislau, quando ele se utiliza da palavra Oblatio . Porque a Oblatio é o ato do oferecimento de si mesmo a Deus como sacrif ício, da forma como se oferece o pão e o vinho; “no altar do amor” − que é como exatamente soa a sua própria expressão, encerrada no livro Templum Dei Mysticum . Essa totalidade do dom-sacrif ício, da oblatio , é encerrada pelas expressões por ele especialmente escolhidas, aludindo ao Sacrif ício da santa Missa: “Ofereço e consagro a Deus Pai Todo-Poderoso, e ao Filho, e ao Espírito Santo, bem como à Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria concebida sem a mácula original, o meu coração, a minha alma, a inteligência, a memória, a vontade, os sentimentos, toda a mente, todo o espírito, os sentidos interiores e exteriores, e o meu cor- po, nada absolutamente deixando a mim mesmo, para que dessa forma seja a partir de agora servo do mesmo Todo-Poderoso e da Beata Virgem Maria”. Quanto nessas palavras de desvelo para não deixar fora nada de si mesmo, nada deixar a si mesmo, mas para tudo depositar no ato do ofe- recimento de si mesmo a Deus! Para ele, ao mesmo tempo, trata-se do ato da sua profissão religiosa pessoal, professado na Congregação dos Padres Marianos, que com esse ato já começou a fundar.

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