Ad Honorem Immaculatae Conceptionis Mariae

57 é uma necessidade de escolha, um tempo de provação e purificação. Com frequência Deus tem de nos introduzir numa crise para nos pronunciar- mos sobre aquele por quem queremos viver e a quem queremos servir. Da mesma forma que Jesus, conduzido pelo Espírito Santo ao deserto, teve que enfrentar a si mesmo e as possibilidades que diante d’Ele apresenta- va o mundo e o demônio. Da mesma forma que Maria, que na hora da anunciação teve que pronunciar-se a respeito daquele a quem queria servir e a quem queria confiar a Sua vida. Da mesma forma que os Apóstolos, que, seguindo os passos de Cristo, tiveram de encontrar não apenas o poder e a beleza de Deus, mas também as suas concepções de salvação, de felici- dade, de vontade divina, bem como as suas pecaminosas tendências e fra- quezas. Assim também cada um de nós, independentemente da idade, dos cargos ocupados na Congregação, das convicções pessoais sobre os seus méritos, a força do seu caráter etc., tem de passar pelo seu tempo de pro- vação. Cada um de nós tem de ter em si a prontidão para enfrentar a crise, ou seja, a necessidade da escolha e a purificação do amor. Isso diz respeito tanto a pessoas particulares como a toda a nossa comunidade. Percebemos essa dinâmica na vida do nosso Pai, S. Estanislau, e nos primórdios da nos- sa Congregação. Como enfatiza o Biógrafo, através das adversidades e dos insucessos, dos sofrimentos e das doenças “o bondosíssimo e misericordioso Deus ins- truiu e preparou então aquele ainda jovem a proporcionar ajuda aos que sofrem no purgatório. Pela paciência e pela dor, preparou o futuro ideali- zador dessa ajuda, de maneira que ele mesmo estando submetido aos sofri- mentos e à provação, aprendesse a compadecer-se das almas nos seus pe- sadíssimos tormentos e tivesse mais amor a elas, visto que ele mesmo havia sofrido e obteve a compaixão”. Vemos como Deus em Sua Providência con- duz a vida de S. Estanislau desde a concepção − porquanto ainda no seio da mãe ele foi salvo de uma morte certa no rio Dunajec. Desde o início edifica no coração de Seu servo a capacidade de opor-se às adversidades, de acei- tar com fé o sofrimento e, sobretudo, de ter plena confiança na onipotência de Deus. É de tais experiências que se origina a sua confissão de que “não há nada de impossível para o Todo-Poderoso, o que se verificou da forma mais clara em mim...” ( Fundatio Domus Recollectionis , 1). Em meio a tais lutas, provações e sofrimentos ia se cristalizando nele a visão da nova Con- gregação. Provações semelhantes o acompanharam também nos primeiros anos da existência da nossa comunidade. Todas essas circunstâncias, no entanto, o forçavam a buscar a resposta à pergunta se aquela “visão gravada em sua alma” realmente provinha do Espírito Santo, ou se era apenas uma

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