99 Papczyński, quando numa das suas meditações afirma: “Quando te aproximas da santa mesa de Cristo, caminhas ao Pai. [...] Caminhas justamente àquele Pai que, recebendo-te com grande alegria e de braços abertos, abraça-te como ao filho pródigo e manda trazer a tua veste branca da inocência que nesse santíssimo banquete te será devolvida. [...] Volta então, volta a teu Pai! Por que viajas pelo distante país das paixões, desprovido de sentimentos de amor para com o Supremo Bem? Caminha ao Pai! Cristo te chama, vai até Ele! Se tens receio, se tens vergonha porque dissipaste tantos bens pertencentes ao Seu patrimônio, isso é um bom sinal: o temor e a vergonha são o primeiro passo visível da caminhada a Ele. Quanto mais adicionares a eles de arrependimento pelos pecados e de penitência, tanto mais serás visto como um hóspede bem-vindo junto ao teu Santíssimo Pai”26. A constante referência de todas as manifestações da vida religiosa juntamente com Cristo e a Seu exemplo ao Pai faz com que no religioso se molde a postura de filiação divina. Graças a isso o Pai se torna o verdadeiro princípio de vida da espiritualidade religiosa e o seu objetivo, vivenciado já na vida temporal27. A questão da presença de Deus Pai na espiritualidade religiosa, nos escritos de Estanislau Papczyński, não tem sido até agora especialmente destacada. Pouca atenção dedicam a esse assunto os outros documentos da primitiva tradição da Congregação dos Padres Marianos. Embora as fontes analisadas da espiritualidade religiosa lhe confiram um caráter teocêntrico, com muita frequência não encerram alusões às distintas pessoas da Santíssima Trindade e muitas vezes se contentam com o conceito geral de “Deus”28. No entanto os textos que contêm tais alusões apontam que Deus Pai é apresentado sobretudo pelo prisma de Jesus Cristo; geralmente também se fala de Deus Pai na análise de questões cristológicas, frequentemente vinculadas com os aspectos da vida espiritual. Apesar disso, facilmente se pode perceber que na concepção de Papczyński a espiritualidade religiosa encontra as suas fontes no amor de Deus Pai, Doador de todo bem, bem como na amorosa resposta do homem, que se expressa no discernimento e no cumprimento da Sua vontade a exemplo de Cristo. Graças a essa aspiração, o Pai é verdadeiramente glorificado, e o homem – também a exemplo de Cristo – se dirige à casa do Pai, onde vai contemplar a Sua face. 26 IC, p. 707-708. 27 Cf. J. MISIUREK. Historia i teologia polskiej... , op. cit., 404. 28 Tanto em Inspectio cordis como em outros escritos, para definir a Deus Estanislau Papczyński frequentemente utiliza-se de variados termos latinos. Alguns deles são considerados no presente trabalho, na análise do contexto trinitário da espiritualidade religiosa. No entanto, vale a pena observar aqui que um dos termos preferidos do Fundador dos marianos, não considerados no presente trabalho, é “Numen”. Da genealogia e significado do termo escreve o tradutor “Prodromus Reginae Artium” B. Kupis em PRA, p. 123-124, nota 37.
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